Romney desculpa-se por ataques a colega homossexual em 1965

Caso revelado pelo 'Washington Post' obriga republicano a vir a público e se retratar em rádio conservadora

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

11 Maio 2012 | 03h02

Em meio à discussão sobre o apoio do presidente Barack Obama ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, o candidato do Partido Republicano à Casa Branca, Mitt Romney, surpreendeu ontem ao fazer um inusitado pedido de desculpas. À rádio conservadora Fox News, Romney admitiu ter "ofendido" e "magoado" um colega que seria homossexual, quando ambos eram estudantes secundários, em 1965.

"No colégio, eu fiz coisas estúpidas e, se alguém se sentiu magoado e ofendido, então, eu peço desculpas. Foi há 48 anos. Então, de novo, se eu disse alguma coisa ofensiva a alguém, eu lamento profundamente por isso. Não tive a intenção de prejudicar", afirmou o republicano.

A polêmica veio à tona após o jornal Washington Post ter publicado uma longa reportagem sobre John Lauber, colega de classe de Romney em Cranbrook Scholl, colégio da elite de Bloomfield, no Estado de Michigan. Na matéria, cinco ex-colegas contam como o hoje candidato republicano espezinhava Lauber, que teria comportamento afeminado, caçoando de seus cabelos parafinados caídos sobre os olhos.

Romney - que era filho do então governador de Michigan, George Romney - chegou a liderar um grupo de garotos que atirou o colega no chão e cortou seus cabelos com uma tesoura. Não houve nenhum tipo de punição aos agressores.

"Lauber ficou aterrorizado. Que coisa sem sentido, estúpida e idiota", afirmou o promotor aposentado Thomas Buford, um dos participantes da agressão, ao Washington Post. Buford disse ter se arrependido logo depois e pedido desculpas a Lauber, que morreu em 2004.

Contradições. Romney insistiu, durante a entrevista, não se lembrar do episódio nem de ter suspeitado, na época, de que Lauber era homossexual. Sua disposição de falar com a Fox News Radio durante seus compromisso eleitorais em Omaha, Estado de Nebraska, indica uma considerável pressa dos coordenadores de sua campanha em abafar, na origem, um potencial problema para a candidatura republicana à Casa Branca.

Ed Gillespie, assessor de campanha do republicano, afirmou que sua equipe pretende usar a defesa que Obama fez da liberação do casamento entre homossexuais para ilustrar as contradições entre o discurso do candidato democrata e o do presidente nos últimos três anos. "É um tema importante, que provoca muitos sentimentos de ambos os lados", disse. / D.C.M.

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