Romney luta para reaver votos do Colorado

Historicamente republicano, Estado deu vitória em 2008 a Obama, que levou seus 9 delegados

DENISE CHRISPIM MARIN , ENVIADA ESPECIAL / , COLORADO SPRINGS, EUA, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2012 | 03h09

As cidades de Colorado Springs e Boulder, no Estado americano do Colorado, estão separadas por apenas 156 quilômetros, mas não podem estar mais distantes quando o tema é a preferência na eleição do dia 6, uma disputa local acirrada que pode ser decisiva nacionalmente. Mitt Romney tenta recuperar a hegemonia regional republicana perdida em 2008, quando Barack Obama venceu a eleição e levou os 9 delegados que representam o Estado no Colégio Eleitoral.

Colorado Springs é conservadora, sede de 80 igrejas evangélicas e de quatro instalações militares. Boulder é herdeira da liberal geração beat, movimento cultural dos anos 1950, e conta com a Naropa University, centro de estudos contemplativos fundado por um lama tibetano em Boulder. Nas duas, as campanhas de Obama e de Romney encontram eleitores fiéis.

Em Colorado Springs, María Madegar, funcionária pública aposentada de 75 anos, fez 1.300 telefonemas em apenas uma semana para motivar os eleitores republicanos a votar. Ela atua há dois meses como voluntária da campanha de Romney. Descendente de imigrantes mexicanos, não vota no Partido Democrata, como a maioria dos latinos. María vota contra o aborto. Portanto, contra Obama.

"Não entendo porque os hispânicos são a favor de Obama. Ele é a favor do aborto. Minha mãe biológica poderia ter me abortado. Mas eu nasci e fui dada em adoção com três dias", afirmou ela. "Estou muito preocupada com a reeleição de Obama. Se isso acontecer, os EUA não serão os mesmos", completou, para em seguida confessar ter votado pelos democratas até o final do mandato de Jimmy Carter, em 1980. Ronald Reagan a conquistou para os republicanos.

Um indício de mudança gradual do pensamento republicano sobre as chamadas questões sociais vem de jovens como Danielle Glassner, de 20 anos, estudante de ciência política na Universidade de Colorado Springs. Danielle faz parte de uma família conservadora de Denver, frequenta a igreja evangélica e sente-se inspirada pela teoria liberal de John Locke. Mas se diz "neutra" quando o assunto é o casamento entre homossexuais e se mostra aberta para a aprovação do aborto, em casos de estupro e de risco para a mãe.

Em Boulder, os temas sociais perdem relevância e surgem as preocupações com o caráter e o histórico dos candidatos, com o meio ambiente e as políticas de geração de energia alternativa, além de inovação e novas fronteiras para o trabalho. Expressões como "Quando Deus me chamou", frequentes entre os cidadãos de Colorado Springs, em Boulder dão lugar nas conversas a frases como "Manifeste-se", um convite para o cidadão expor seus temores mais profundos, ou "abra espaço", para pedir para ser ouvido pelo interlocutor.

"Há menos entusiasmo com a campanha de Obama aqui do que em 2008, quando todo mundo estava alucinado por ele", afirmou Amy Segreti, jornalista de 29 anos que trocou Nova York por Boulder. "Romney tem milhões de dólares em bancos suíços, não entende a vida do americano comum. Obama, nesta eleição, só é melhor do que Romney", completou.

A questão econômica, entretanto, ainda assombra o eleitor do Colorado, onde a taxa de desemprego alcançou 8,0% em setembro passado, enquanto a média nacional fora de 7,8%. Melodee Cash, desempregada e evangélica de Colorado Springs, se diz arrependida por ter votado em Obama em 2008. Hoje, dedica-se a combater sua reeleição. "Votar em Obama foi a pior decisão da minha vida. Sou uma das pessoas que perderam o emprego em razão de sua incompetência", disse.

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