Evan Vucci/AP
Evan Vucci/AP

Romney pede renúncia de candidato republicano ao Senado

Ao dizer que vítimas de estupro dificilmente engravidam, deputado coloca aborto no centro da corrida eleitoral

estadão.com.br,

21 de agosto de 2012 | 20h54

NOVA YORK - O candidato republicano à Casa Branca, Mitt Romney, pediu nesta terça-feira, 21, que o deputado Todd Akin renuncie à sua candidatura ao Senado pelo Estado de Missouri. No domingo, Akin afirmou que as mulheres vítimas de "estupro de verdade" raramente engravidam. A declaração provocou indignação em todo o espectro político.

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"As declarações de Todd Akin foram ofensivas, equivocadas e ele deveria considerar seriamente qual caminho seguir pelo interesse do país", afirmou Romney em um comunicado. "Hoje, os habitantes de Missouri o aconselham a se retirar. Acho que ele deveria seguir esses conselhos."

A declaração de Akin serviu de munição para o presidente Barack Obama criticar a "visão antiquada" dos republicanos, que tentaram de todas as maneiras distanciar-se da opinião do deputado para não perder o voto feminino, dos eleitores moderados e dos independentes.

"Estupro é estupro", disse Obama, em uma aparição inesperada, na segunda-feira, apenas para falar sobre o tema. "Esses comentários mostram que não deveríamos ter um monte de políticos, a maioria homens, tomando decisões pelas mulheres."

Várias associações e organizações conservadoras e muitos doadores republicanos ameaçaram estrangular financeiramente a campanha ao Senado de Akin se ele não retirar sua candidatura. O sentido de urgência tem explicação.

Akin recusa-se a deixar a disputa. Ele tem uma vantagem de cerca de 5 pontos porcentuais nas pesquisas sobre a democrata Claire McCaskill, atual senadora por Missouri, que enfrenta dificuldade para reeleger-se.

Senado

De acordo com sondagens em todo o país, se as eleições fossem hoje, republicanos e democratas dividiriam o Senado, com 50 cadeiras para cada lado. O escândalo envolvendo Akin, portanto, pode ter um impacto gigantesco. Se McCaskill virar a eleição, o partido de Obama aumenta suas chances de manter uma maioria de senadores.

No entanto, mesmo que os republicanos consigam contornar o problema, um outro tipo de estrago já foi feito. A declaração de Akin colocou no centro da campanha eleitoral a questão do aborto, tema muito delicado para Romney.

Ao contrário de muitos republicanos conservadores, que são contra qualquer tipo de aborto, Romney defendeu, no início de sua carreira política, algumas exceções, como em caso de estupro e de incesto. Depois de ser tachado de moderado e de contrariar as bases do partido, especialmente durante as primárias, ele mudou de ideia, mas nunca mostrou sua posição exata sobre o assunto – que certamente voltará a assombrá-lo agora.

A ideia de que a mulher tem mecanismos para impedir a gravidez em casos de estupro não é nova entre aqueles que rejeitam o aborto. O obstetra John Willke, ex-presidente do National Right to Life Committee, foi um dos primeiros defensores desse conceito, apresentado em um livro, de 1985, e em um artigo, de 1999.

"Existe uma situação traumática. Digamos que ela está tensa", disse Willke, em entrevista na segunda-feira, sobre uma mulher que está sendo estuprada. "Ela está apavorada, rígida. Portanto, o esperma do agressor tem menos possibilidade de fertilizá-la. As trompas estão paralisadas."

Especialistas conhecidos na área menosprezam essa linha de raciocínio. "Não há palavras para definir isso. É pura loucura", disse Michael Greene, professor de ginecologia de Harvard.

David Grimes, professor de obstetrícia da Universidade da Carolina do Norte, afirmou que sugerir que há razões biológicas para as mulheres não engravidarem durante um estupro é um "absurdo".

Outro disparate, segundo Grimes, é a afirmação de que as trompas de falópio da vítima de estupro se contraem. "Tudo funciona. As trompas são muito estreitas e os espermas são minúsculos, mas excelentes nadadores".

Com NYT, AP e Reuters 

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