Romney se aproxima de Obama na diplomacia

Visões do candidatos republicano e democrata convergem nos principais temas do Oriente Médio, como Irã nuclear, crise na Síria e processo de paz

GUSTAVO CHACRA , CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2012 | 03h03

A política externa de Mitt Romney para o Oriente Médio é próxima da do presidente Barack Obama, apesar da retórica agressiva que o candidato republicano e seus assessores usaram para se diferenciar do atual ocupante da Casa Branca. Suas receitas para solucionar a questão nuclear iraniana, a crise síria e buscar a paz entre israelenses e palestinos, apesar de um tom mais duro, são similares às do democrata.

"Pode parecer uma surpresa, mas minha impressão neste estágio da campanha presidencial é a de que as posições dos dois candidatos em relação aos principais problemas de política externa estão se sobrepondo", escreveu Marvin Kalb, do Brookings Institute.

Em visita a Israel, no fim de semana passada, Romney afirmou que não tolerará um Irã nuclear e usará todos os meios diplomáticos e até mesmo militares para impedir o regime de Teerã de chegar a obter armas atômicas. Dias depois, o secretário americano de Defesa, Leon Panetta, também em visita a Israel disse que os EUA têm uma série de opções, incluindo militares. "Não permitiremos que os iranianos tenham armas atômicas", declarou.

Discurso. A retórica de Romney, no entanto, é mais agressiva. O candidato provocou polêmica ao dizer no fim de semana que reconhece o direito de Israel de se defender e atacar as instalações nucleares iranianas. No mesmo dia, seu assessor de política externa, Dan Senor, foi a público dizer que Romney, se eleito presidente, não participaria do ataque, mas respeitaria o direito de Israel de fazê-lo. Ainda segundo o estrategista republicano, Romney apoia as sanções econômicas e diplomáticas.

Publicamente, o governo Obama evita se posicionar sobre um possível ataque unilateral de Israel ao Irã. Além disso, durante a gestão democrata, foi imposta pelos EUA e a União Europeia uma série de sanções sem precedentes ao Irã. A mais recente das sanções barrou a entrada do petróleo iraniano a mercados europeus.

Assessores internacionais de Romney, como Rich Williamson, ainda não explicaram como seria diferente uma administração do republicano. As recomendações são as mesmas adotadas pelo atual presidente.

Em relação à crise na Síria, Romney critica Obama, mas não defende posições distintas, como armar a oposição ou estabelecer uma zona de exclusão aérea, a exemplo do que pede o senador John McCain e outros membros do Partido Republicano.

O candidato apenas apoiou a liberação de ajuda logística aos rebeldes, exatamente como o presidente democrata vem fazendo até agora.

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