Romney tem 14 pontos sobre rival na Flórida

Apesar da vantagem para as primárias de hoje no Estado, ex-governador amplia ataques a Gingrich para tentar acabar com chances do ex-presidente da Câmara

DENISE CHRISPIM MARIN, ENVIADA ESPECIAL / MIAMI, O Estado de S.Paulo

31 de janeiro de 2012 | 03h03

Com sua campanha vitaminada pelo gasto de cerca de US$ 9 milhões em publicidade e por um corpo a corpo mais efetivo com o eleitorado da Flórida, o conservador moderado Mitt Romney enfrenta hoje a primária nesse Estado como potencial vencedor.

Ontem, mantinha confortável liderança nas pesquisas de opinião, com 14 pontos porcentuais de vantagem sobre seu principal rival, o conservador radical Newt Gingrich. Ainda assim, Romney parecia disposto, com ataques pessoais, a acabar de vez com as chances de o ex-presidente da Câmara dos Deputados continuar na disputa do partido.

A campanha de Romney, na prática, já tratava sua festa da "Noite da Eleição", agendada para a noite de hoje em Tampa, como celebração de sua segunda vitória em quatro prévias. Pesquisa da Quinnipiac University, realizada entre os dias 27 e 29, apontou o ex-governador de Massachusetts com 43% das intenções de voto e Gingrich, presidente da Câmara dos Deputados nos anos 90, com 29%. Oficialmente, a vitória significará a conquista de todas as 50 cadeiras da Flórida na Convenção Republicana, em agosto, quando será oficializado o candidato do partido à Casa Branca.

Mas dará ao vencedor um selo de aprovação da maioria de um eleitorado étnica e economicamente diversificado, com demandas distintas às do poder público e oscilante em relação ao apoio aos dois partidos políticos nas eleições gerais. Em cada grupo de 360 residências da Flórida, uma tem seus proprietários sob ordem de despejo por falta de pagamento das hipotecas. Trata-se de um dos Estados americanos mais abatidos pela crise provocada em 2008 pela bolha imobiliária. Mas também é um Estado acolhedor de americanos aposentados e abastados de outros cantos do país e de importantes comunidades de cubanos, porto-riquenhos e judeus.

"A ideia da Lua como o 51.º Estado (americano) ainda não entrou na minha cabeça", afirmou Romney em comício em Jacksonville, ao ironizar a proposta de Gingrich de colonizar o satélite até 2020.

Sua campanha também enviou e-mails a jornalistas e a simpatizantes, com o título "Uma Overdose de Grandiosidade", com deboches sobre as comparações frequentes do ex-presidente da Câmara com o estadista Winston Churchill e outras figuras históricas. Gingrich rebateu dizendo que Romney é "desonesto" e "difamador" e denunciando que o oponente, quando governador de Massachusetts, cortou a provisão de refeições kosher nos asilos públicos.

Romney percorreu ontem três cidades do norte do Estado, em sua ansiedade de consolidar e ampliar sua liderança. Gingrich, ansioso em virar o jogo e em manter-se forte para as primárias seguintes - Nevada, Colorado e Missouri -, fez cinco comícios por cidades do norte e noroeste do Estado. Seus gastos com anúncios publicitários contra Romney teriam somado US$ 4 milhões, mas sem estimular o eleitorado.

A corretora de imóveis Janey Stroshein Rousseau, de Palm Beach, avalia as habilidades de Romney como "excelentes". Mas, apesar dos predicados do candidato moderado, prefere o estilo "forte e genuíno" de Gingrich para vencer Barack Obama, em novembro, e conduzir o governo até 2016. Mas Janey não assina seu nome embaixo de todas as propostas de seu favorito nas primárias da Flórida, como as críticas de Gingrich ao Food Stamp, o principal programa de ajuda alimentar do governo federal. "É preciso equilibrar o programa, mas não acabar com ele."

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