Brian Snyder/Reuters
Brian Snyder/Reuters

Romney tenta atrair voto de Militares

Republicano promete manter orçamento do Pentágono e fortalecer setor da Defesa

Denise Chrispim Marin, enviada especial a Springfield, EUA,

27 de setembro de 2012 | 21h43

SPRINGFIELD, EUA - Diante de veteranos das guerras da Coreia e do Vietnã, o candidato republicano à Casa Branca, Mitt Romney, abraçou uma nova causa em sua campanha: a preservação do orçamento de Defesa e o fortalecimento dos militares americanos. Seu discurso foi moldado para agradar à plateia da Legião da América, em Springfield, no Estado de Virgínia.

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Romney acusou o presidente dos EUA e seu rival, Barack Obama, de ser o responsável pelo corte automático de US$ 1 trilhão no orçamento de Defesa entre 2013 e 2022 e de não ter ajudado os soldados que retornaram dos conflitos no Iraque e no Afeganistão. No entanto, omitiu o fato de a bancada republicana no Congresso ter boicotado, na semana passada, a aprovação de um projeto do governo para facilitar a contratação de veteranos para o serviço público federal.

"Eu, eleito presidente, não cortarei o orçamento militar", afirmou. Sem consenso até o dia 31 de dezembro, por lei, o corte automático entrará em vigor a partir de 1o de janeiro, independentemente da vontade do presidente dos EUA.

O republicano começou seu discurso contando um episódio que ocorreu quando ele era governador de Massachusetts. Durante um evento, um combatente a caminho do Iraque pediu que Romney, que é bispo da igreja mórmon, o casasse naquele momento com sua noiva. "Por que não?", respondeu ao soldado. O candidato passou, então, a defender investimentos nas Forças Armadas para que os EUA retomem a condição de líderes absolutos do mundo.

"O mundo não é um lugar seguro. Ele continua perigoso", afirmou, ao mencionar a Coreia do Norte, a Síria, o Egito "com um presidente da Irmandade Muçulmana", o Paquistão e o Afeganistão como as principais ameaças à paz. "Fui à Polônia e conheci Lech Walesa. Também ele um herói. Ele me perguntou várias vezes: onde está a liderança dos EUA?"

A estratégia de Romney foi apelar para a empatia: em Virgínia, Estado vizinho da capital Washington, é onde fica a sede do Pentágono, de dezenas de agências federais e de empresas privadas do setor de defesa, além de quatro bases militares.

A redução do orçamento do Pentágono significará, segundo ele, a perda de 160 mil empregos locais. Virgínia é um dos sete Estados onde a eleição ainda está indefinida. Conforme a média das pesquisas calculadas pelo site Real Clear Politics, Obama tem 49,6% das intenções de voto e Romney, 45,1%. Quem vencer, levará 13 delegados para o Colégio Eleitoral.

Os aplausos foram efusivos de uma plateia composta por idosos brancos - universo similar ao dos participantes da convenção republicana, em agosto na Flórida.

O aposentado John Young, veterano da Marinha e ex-funcionário do Pentágono, chegou cedo para esperar o candidato. Ao Estado, ele se referiu a Obama como um "presidente socialista, que odeia os brancos, a classe média e os mais ricos". "Ele é um porco incompetente, que está diminuindo o poder dos EUA e permitindo a ascensão desses horríveis russos e chineses", disse.

Outros eleitores eufóricos também criticaram Obama, mas em tom mais respeitoso. A consultora Karen Garcia afirmou não apoiar a reforma fiscal do presidente nem seu plano para aumentar a regulação sobre empresas. "Romney é a favor do empreendedorismo", afirmou.

A certeza da vitória, porém, não era unânime. Thomas Burch, presidente da Fundação Nacional dos Veteranos do Vietnã, reconheceu os erros de Romney. "Ele pode vencer, mas terá de trabalhar duro nas próximas cinco semanas", disse.

Senado

Nas últimas semanas, as dificuldades enfrentadas por Romney têm se refletido também na campanha dos republicanos ao Senado. Até as convenções, o partido liderava a corrida em 16 dos 33 Estados onde haverá eleição para senador, o que daria aos republicanos o controle da Casa - 53 a 47.

No entanto, desde a desastrosa declaração do deputado republicano Todd Akin, candidato a senador pelo Estado de Missouri - ele disse que o corpo da mulher evita a gravidez, caso ela sofra um "estupro legítimo" - e dos tropeços do próprio Romney, as campanhas republicanas ao Senado começaram a naufragar.

Nas últimas duas semanas, a eleição virou nos Estados de Missouri, Massachusetts, Connecticut, Virgínia e Wisconsin. No cenário atual, os democratas manteriam o controle do Senado - 52 a 48.

A situação dos republicanos pode piorar ainda mais, porque a disputa ficou apertada em Estados onde eles lideravam com folga. Segundo pesquisas, os candidatos do partido estão agora seriamente ameaçados no Arizona, Nevada, Montana e Dakota do Norte.  

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