VANESSA VIEIRA/ESTADAO
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Roraima cria gabinete emergencial sobre imigração venezuelana

Comissão formada pelo governo federal para avaliar situação na fronteira chegará ao Estado no dia 24

Tânia Monteiro / Brasília, O Estado de S. Paulo

17 de outubro de 2016 | 20h48

A governadora de Roraima, Suely Campos (PP), assinou nesta segunda-feira, 17, o decreto que criou um gabinete de emergência no Estado brasileiro para lidar com o fluxo crescente de imigrantes venezuelanos. Segundo estimativas recentes, mais de 30 mil cidadãos do país vizinho já atravessaram a fronteira seca para fugir da grave crise que tem provocado escassez de alimentos, medicamentos e outros itens básicos na Venezuela.

Uma comissão do governo federal estará em Roraima entre os dias 24 e 26 para fazer um levantamento da situação de entrada de venezuelanos no Brasil, com o objetivo de tentar ajudar o Estado, que não tem capacidade de receber o fluxo migratório. A decisão foi tomada em reunião realizada hoje no Palácio do Planalto comandada pelo ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, com a presença de Alexandre de Moraes (Justiça), Raul Jungmann (Defesa) e de representantes do Gabinete de Segurança Institucional e das Relações Exteriores. 

Segundo Padilha, na reunião, a prefeita eleita de Boa Vista, Teresa Surita (PMDB), falou da sua preocupação com a chegada dos venezuelanos à capital do Estado. Neste momento, o governo não tem informações de qualquer tipo de problema dos venezuelanos com os indígenas que vivem na região de Pacaraima, por onde eles estão entrando, ou mesmo em outras regiões.

“A prefeita veio dizer que a estrutura do município não tem condições de absorver o número grande de pessoas que venham fazer compras ou trabalhar no Estado. Então ela está preocupada com isso e veio trazer neste momento a questão para que o governo tivesse consciência disso e pudesse na medida do possível apoiar o município”, disse Padilha, citando que o senador Romero Jucá (PMDB-RR) também participou do encontro e falou sobre dos problemas da chegada dos venezuelanos sem condições de serem absorvidos pela economia local. Teresa Surita, que é ex-mulher de Jucá, ainda não assumiu o cargo.

Já o ministro da Justiça informou que hoje terá uma reunião com a governadora de Roraima e deputados federais do Estado “para analisar o impacto” da entrada de venezuelanos. Os imigrantes têm vivido nas ruas em cidades como Pacaraima, último município antes da fronteira, e a capital, Boa Vista. Em busca de trabalho, muitos deles também acabam sendo explorados por empregadores em funções informais.

Padilha afirmou que a comissão que viajará para a região deve verificar quais são as necessidades dos municípios e os problemas que estão ocorrendo com o aumento do fluxo migratório. O ministro não quis falar em números de venezuelanos que chegaram ao Brasil. Padilha disse ainda que o Estado de Roraima ainda não fez nenhum pedido oficial ao governo federal.

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