JOSE PATRICIO/ESTADÃO
JOSE PATRICIO/ESTADÃO

Roraima pede reforço das Forças Armadas e da Polícia Federal

A crise na Venezuela aumentou o tráfico de drogas e armas pesadas após a entrada de mais de 30 mil venezuelanos pela fronteira Norte

Cyneida Correia - Especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

09 Agosto 2017 | 05h00

Boa Vista - A governadora de Roraima, Suely Campos (PP), solicitou nesta terça-feira, 8, em telefonema ao presidente república, Michel Temer, reforço das Forças Armadas e da Polícia Federal na fronteira com a Venezuela. Ela afirmou que já enviou dois ofícios ao Palácio do Planalto expondo a grave situação que passa a segurança pública nacional em razão da fronteira desprotegida no Norte do País.

No documento, a governadora de Roraima solicita a expedição de decreto para garantia da lei e da ordem, com o emprego das Forças Armadas no patrulhamento de toda a extensão da faixa de fronteira do município de Pacaraima com a Venezuela, onde existem diversas vias de acesso clandestinas utilizadas como rota de tráfico de drogas, de pessoas e de armas pesadas, conforme apontam as estatísticas da criminalidade e os relatórios da inteligência da Polícia Civil do Estado.

A governadora pediu ainda o envio de maior efetivo de agentes e delegados para atuar na Delegacia de Polícia Federal situada no município de Pacaraima, para dar celeridade ao encaminhamento dos pedidos de refúgio e aos procedimentos criminais abertos para investigar crimes praticados por imigrantes na faixa de fronteira.

Foi solicitada ainda a reativação do Programa Sentinela, que mantinha agentes federais no Posto de Fiscalização de Jundiá, na divisa com o Estado do Amazonas, para se somar às forças de segurança do Estado na repressão à criminalidade, uma vez que a BR-174, que liga os dois Estados, é utilizada como verdadeiro corredor do tráfico de drogas e de armas que entram pela fronteira.

Relatórios da inteligência e estatísticas apontam para o aumento da incidência de crimes na cidade de Pacaraima, localizada na linha de fronteira com a Venezuela, a 260 quilômetros de Boa Vista, capital do Estado. O mesmo se repete em diversos municípios após a entrada de mais de 30 mil venezuelanos pelas fronteiras.

“Temos dois mil quilômetros de fronteira seca, com diversas vias de acesso clandestinas, transformadas em rotas de tráfico de drogas, de pessoas e de armas pesadas por organizações criminosas. Queremos uma atuação preventiva das Forças Armadas para coibir a entrada desses criminosos e evitar que Roraima se transforme em corredor de passagem para esses ilícitos. O presidente foi bastante sensível ao nosso pleito e disse que se reuniria com o ministro da Defesa para tratar dessa questão”, destacou Suely.

 

A governadora se reuniu também com o general Gustavo Dutra, comandante da 1ª Brigada de Infantaria de Selva, que informou que o Pelotão Especial de Fronteira, situado em Pacaraima, tem auxiliado a Polícia Militar no patrulhamento da cidade.

Dutra esclareceu que em Roraima o efetivo do Exército é de 3,5 mil homens e esse grupamento está de prontidão para fazer o patrulhamento da fronteira.

“As ações na faixa de fronteira, com a finalidade acima descritas, estão sendo realizadas com frequência por meio da Operação Escudo, que ocorre diuturnamente ao longo de todo ano. Há ainda operações pontuais e de maior envergadura que tem a mesma finalidade e são denominadas Operação Curaretinga e Curare, ocorridas nos meses de março e junho”, afirmou o Exército em nota. Segundo a Brigada, para esse tipo de atividade não se faz necessário decreto presidencial . “As leis não amparam o uso do Exército no controle imigratório na faixa de fronteira roraimense.”

 

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