Miguel Gutierrez/EFE
Miguel Gutierrez/EFE

Rosto de Hugo Chávez vai se apagando nos muros da Venezuela

Imagens do líder bolivariano, morto há 7 anos, se desbotam, mas não saem do imaginário popular

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de março de 2020 | 19h18

A figura de Hugo Chávez inunda a Venezuela em forma de pinturas, murais, cartazes e músicas. Mas os líderes chavistas, que não perdem a chance de citar o comandante sempre que podem, se esqueceram de preservar os ícones que ficam à vista de todos.

Chávez morreu há sete anos, mas o tempo parece implacável. Seu nome ainda é lembrado em cada evento, manifestação ou passeata oficial. Os gritos de “Chávez vive” são entoados como se fossem um slogan político. Mas os murais, que antes coloriam as ruas de Caracas, vem se desbotando rapidamente. Sem dinheiro, o vermelho intenso, símbolo do líder chavista, virou um rosa claro, com brilho fosco.

Após sua morte, sua imagem dominou a paisagem urbana e rural, tanto que era impossível passar despercebida aos olhos de quem viajava pelos país. O rosto de Chávez seguiu vigiando todos, como se fosse o “Big Brother” de George Orwell. Seus olhos, desenhados em escala massiva, observavam todos os cidadãos que ousavam encarar o velho líder.

Mas o olhar que até recentemente intimidava, hoje não transmite nenhuma sensação. As imagens são cada vez mais imperceptíveis, perdidas em meio ao tempo e às pinturas do atual comandante Nicolás Maduro. No entanto, mesmo os que interpretam a decadência das pinturas como o fim de uma era, respeitam as imagens do fundador do chavismo – enquanto os retratos de Maduro costumam ser constantemente vandalizados.  

A única coisa que não mudou foi a palavra de Chávez. Até hoje, o programa Alô, Presidente é transmitido no mesmo horário, todos os domingos, em rede nacional de TV e rádio da Venezuela. Durante as transmissões, são apresentados os triunfos do chavismo e anunciadas as novas iniciativas do governo Maduro.

Chávez se tornou uma figura histórica por seus méritos e deméritos, reconhecida como tal por amigos e inimigos. E como todo herói ou vilão, reconhecido além de suas fronteiras e anos após sua morte, o fundador do chavismo parece eterno, pelo menos para os que continuam a se lembrar dele como se ele fosse um deus. Mesmo com seu olhar sumindo das fachadas, seus olhos se tornaram cada vez menos perceptíveis nas paredes e o vermelho de sua camisa tornou-se rosa nos cartazes. /EFE

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