Rota é considerada de risco e avião tem bom histórico

Roberto Godoy , O Estado de S. Paulo

20 Maio 2016 | 05h00

As investigações das autoridades do Egito e da França pelo viés do atentado terrorista contra o voo MS-804, da EgyptAir, estão apoiadas na avaliação da rota de risco, entre Paris e o Cairo, e na condição da aeronave, um robusto A32o. O jato da Airbus é relativamente novo, foi construído em 2003 e, segundo a empresa, passou por dois processos de revitalização - um em 2010 e outro, mais amplo, em 2013. Há pouco tempo, foi submetido à revisão periódica de sistemas.

A possibilidade de uma agressão é complexa. Vai exigir tempo para que tudo seja entendido. Não é sem motivo que, além dos 56 passageiros e 7 tripulantes, houvesse a bordo 3 agentes de segurança - todos armados. As agências de inteligência da França e dos EUA incluem a região centro-norte do Oriente Médio, até a África, na “zona laranja” de perigo, o penúltimo estágio na escala das ameaças reais. 

Todavia, é bizarro que o A320 em silêncio de rádio e sem emitir nenhum dos sinais eletrônicos de alerta ou emergência tenha feito duas man0bras incomuns: primeiro, uma guinada de 90 graus à esquerda, e, em seguida, um giro de 360 graus à direita. Também perdeu altitude subitamente, de 37 mil pés (11,5 mil metros) para 15 mil - patamar em que manteve certa estabilização -, e depois caiu para 9 mil pés, antes de desaparecer dos radares.

O A320 é um avião robusto e confiável, bom de pilotar. Preferido pelas operadoras do mundo todo pelo baixo custo de manutenção, oferece ótimos resultados no mercado de alta densidade de ocupação - pode receber arranjos de até 189 lugares, uma das configurações adotadas no Brasil pela companhia LATAM, cuja frota de A320 supera 90 unidades. 

Os principais sistemas de bordo são trirredundantes, informa a Airbus - ou seja, em determinados casos, há até três deles para a mesma função.

O avião da EgyptAir era um dos 7 mil da família - há quatro variações - produzidos pela Airbus desde 1986. O preço de mercado da versão mais recente bate em US$ 98 milhões. O modelo acumula um histórico de 18 acidentes e incidentes ao longo de 28 anos de operações. 

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