Rota paquistanesa continua fechada para os EUA

A equipe diplomática norte-americana que tentou negociar por mais de um mês com o Paquistão a reabertura dos passos fronteiriços com o Afeganistão, fechados após um ataque dos Estados Unidos em novembro do ano passado que matou por engano 24 soldados paquistaneses, voltou a Washington sem um acordo com Islamabad, informou o secretário de imprensa do Pentágono, George Little.

AE, Agência Estado

11 de junho de 2012 | 15h08

Little disse que os EUA chamaram de volta a equipe diplomática após o mais graduado general paquistanês ter se recusado a se reunir com um funcionário importante do Departamento de Defesa dos EUA. "Nós permanecemos prontos a fechar esse acordo tão logo o Paquistão esteja pronto", disse o porta-voz da Embaixada dos EUA em Islamabad, Robert Raines. Funcionários dos dois governos não disseram o que levou à interrupção das negociações.

O Paquistão fechou as passagens rodoviárias na fronteira com o Afeganistão em novembro de 2011. Desde então, os EUA e a Organização do Tratado do Atlântico Norte(Otan) têm sido obrigados a usar uma rota circular, pelo norte, para enviar suprimentos às tropas que estão no Afeganistão.

O funcionário em questão do Pentágono, Peter Lavoy, tentou uma reunião com o general Ashfaq Pervez Kayani, chefe do Exército do Paquistão, mas não houve o encontro. A chancelaria paquistanesa não quis comentar.

Existem vários pontos controversos para a reabertura dos passos na fronteira afegã. Primeiro o Paquistão pediu que os EUA apresentassem um pedido oficial de desculpas pelas mortes dos 24 soldados, mas Washington apenas expressou lamentar as mortes. Depois ocorreram também ríspidas discussões sobre o pedágio que o Paquistão cobra para cada caminhão da Otan cruzar seu território.

Antes do ataque de novembro, o custo era de US$ 250 por caminhão da Otan. No final de maio, o Paquistão pedia US$ 5 mil para cada caminhão, enquanto os EUA se ofereciam a pagar US$ 500.

Na semana passada, as relações entre os EUA e a o Paquistão pioraram ainda mais. O secretário da Defesa americano, Leon Panetta, visitou a Índia, arquirrival do Paquistão e também o Afeganistão, onde expressou abertamente frustração com o governo do Paquistão. Panetta também disse que "a ideia inteira" no ano passado foi deixar o Paquistão no "escuro" sobre o reide secreto feito pelo comando SEAL dos fuzileiros navais dos EUA, que em maio matou o terrorista Osama bin Laden na cidade paquistanesa de Abbottabad.

As informações são da Associated Press.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.