Ruanda rompe relações diplomáticas com a França

Ruanda chamou de volta seu embaixador na França nesta sexta-feira, intensificando a polêmica gerada pela expedição, por um juiz francês, de mandados de prisão contra assessores do presidente do país africano, Paul Kagame. O juiz determinou, na quarta-feira, a prisão de nove assessores de Kagame por envolvimento em um incidente que provocou o genocídio de Ruanda, nos anos 90. Eles são acusados de terem organizado a derrubada do avião em que viajava o então presidente do país, Juvenal Habyarimana, de etnia hutu. Mais de 800 mil pessoas morreram no massacre promovido por hutus após a morte de Habyarimana. O massacre, de membros da etnia tutsi e hutus moderados, durou cem dias. As acusações feitas pela Justiça francesa geraram indignação na capital de Ruanda, Kigali, onde cerca de 25 mil pessoas participaram de uma manifestação contra a França organizada pelo governo. O juiz acusou o presidente Paul Kagame, que é tutsi, de ordenar a morte do ex-presidente. Kagame nega qualquer envolvimento. Manifestação O ministro do Exterior, Charles Murigande, disse à agência de notícias AFP que o governo chamou de volta seu embaixador em Paris pois "não conseguia ver razão para ele permanecer lá". Murigante acrescentou que o governo ainda não decidiu se vai mandar o enviado de volta à França. "A França está tentando destruir nosso governo, não vemos necessidade para manter nenhum tipo de relacionamento com um país hostil", afirmou. Mísseis O juiz francês, Jean-Louis Bruguiere, está investigando o caso porque a tripulação do avião derrubado era francesa e as famílias entraram com uma ação na França em 1998. Entre os acusados está o chefe das Forças Armadas de Ruanda, James Kabarebe, e o comandante do Exército Charles Kayonga. Segundo a lei francesa, Kagame tem imunidade por ser chefe de Estado. O juiz Bruguiere afirmou que apenas as forças tutsis da Frente Patriótica Ruandesa tinham mísseis capazes de derrubar o avião do presidente Habyarimana. Ele afirmou que o ataque foi planejado cuidadosamente pelo grupo, liderado por Kagame. Kagame negou esta acusação e sempre acusou a França de ter envolvimento com os responsáveis pelo genocídio.

Agencia Estado,

24 Novembro 2006 | 16h28

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