Ruas vazias aguardam fim do prazo em Bagdá

Os milicianos a serviço do partido Baath, de Saddam Hussein, ocuparam nesta quarta-feira as ruas de Bagdá, numa tentativa de demonstrar força, enquanto muitos moradores se refugiaram em suas casas antes que expirasse o prazo dado pelos EUA para que o ditador iraquiano deixasse o país.Políticos e funcionários públicos graduados faziam questão de manter o tom de desafio. O Parlamento se reuniu em sessão extraordinária para declarar lealdade a Saddam, mesmo sabendo que colunas de blindados norte-americanos no deserto do Kuwait começaram a se alinhar ao longo da fronteira com o Iraque.?Nós nos dedicaremos ao martírio em defesa do Iraque e sob sua liderança?, diziam os legisladores. O presidente do Parlamento, Saadun Hammadi, disse que era "absolutamente impensável" a hipótese de Saddam ceder às exigências dos Estados Unidos e se exilar. "Ele estará à frente de todos nós. Lutará e guiará nosso país até a vitória."O Parlamento iraquiano tem função puramente homologatória. O Conselho do Comando Revolucionário, chefiado por Saddam, e o Partido Baath, o único legal no país, têm a última palavra nas decisões políticas. Dá-se como certo que, começada a guerra, a lei e a ordem em Bagdá e outras cidades grandes do país ficarão a cargo dos milicianos do Baath.Já nesta quarta-feira os milicianos dominavam a paisagem na capital, em seus uniformes verde-oliva e armados com fuzis Kalashnikov, andando em grupos de quatro ou cinco pelas ruas. Alguns já se posicionavam atrás de pilhas de sacos de areias _ barricadas erguidas nas duas últimas semanas em toda a cidade. "O povo do Iraque se mantém unido contra forças traiçoeiras e está pronto para qualquer sacrifício em sua defesa de nossa honra, nossos princípios e valores espirituais", disse Hammadi em seu discurso no Parlamento. Durante a sessão, outros deputados gritavam: "Com nosso sangue e nossas almas, nós o vingaremos, Saddam."Do lado de fora, sob um céu nublado, as ruas de Bagdá estavam mais silenciosas do que de hábito, com lojas fechadas e trânsito livre, mesmo nas horas de maior movimento. Ao longo da estrada de Bagdá para a Jordânia, os postos de gasolina estavam lotados, mas havia pouco tráfego nas pistas. Em alguns postos, a gasolina acabou. Outros subiram o preço do litro para o equivalente a até 1 dólar, quando o preço normal não passa de US$ 0,02.Nas cidades, os postos, as padarias e os mercados também foram invadidos por multidões querendo estocar produtos antes do fim do prazo dado pelos EUA. "A morte virá até nós, em qualquer lugar que estivermos", disse Lamiaa Kazem Mohammed, uma dona de casa de 55 anos, coberta com um xador preto e carregando sacolas de compras. "Eu não vou fugir para lugar nenhum; vou ficar trancada em casa."

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