Rubio se destaca em 3º debate republicano

O senador Marco Rubio fortaleceu ontem sua posição de alternativa da ala tradicional do Partido Republicano na disputa pela vaga de candidato da legenda à eleição presidencial em 2016. Rubio foi o vencedor de um embate direto com o ex-governador Jeb Bush e se mostrou mais assertivo do que seu rival no terceiro debate entre os pré-candidatos à Casa Branca.

Cláudia Trevisan, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

29 Outubro 2015 | 02h01

Ambos se esforçam para sair do patamar de um dígito nas pesquisas e ocupar a posição de oponente preferencial dos dois azarões que lideram a corrida republicana: o neurocirurgião Ben Carson e magnata Donald Trump.

Bush atacou Rubio por suas ausências em sessões do Senado para cumprir compromissos de campanha. Em resposta, ouviu que não realizou a mesma crítica quando outros parlamentares republicanos fizeram o mesmo em disputas presidenciais anteriores. "Você só está me atacando agora porque estamos disputando a mesma posição", ressaltou Rubio. "Tenho grande admiração pelo senhor e não vou atacá-lo", declarou, para um Bush sem reação.

Pesquisa New York Times/CBS News, divulgada na terça-feira, mostra que Carson lidera a disputa pela nomeação republicana, com 26% das intenções de voto, à frente de Trump, que obteve 22%. Rubio aparece em terceiro lugar, com 8%, seguido por Bush e Carly Fiorina, ambos com 7%.

O governador de Ohio, John Kasich, foi o mais agressivo nos ataques a Trump e Carson. Segundo ele, as propostas de ambos são "fantasias" e "promessas vazias". "Temos de acordar, eleger alguém que tenha experiência e saiba fazer esse trabalho (de presidente)", afirmou.

Trump também foi criticado por um dos moderadores do debate, que considerou suas propostas de reduzir impostos em US$ 10 trilhões e construir um muro na fronteira com o México - a ser pago pelo país vizinho - como "roteiro de uma história em quadrinhos".

A possibilidade de vitória de Carson ou Trump nas primárias deixa a liderança tradicional dos republicanos em pânico. Para esse setor, o lançamento de candidatos extremistas reduzirá as chances de vitória da legenda em 2016 na disputa com Hillary Clinton, que deve ser o nome do Partido Democrata na corrida presidencial.

Mas, se a história se repetir, é pouco provável que um dos dois consiga a nomeação, na opinião de Allan Lichtman, professor da American University e criador de um modelo que previu de maneira correta todos os vencedores de eleições presidenciais americanas desde 1984.

"O Partido Republicano jamais nomeou alguém que não apenas nunca disputou uma eleição, mas nunca ocupou um cargo público", disse Lichtman, fazendo uma descrição que se aplica a Carson e a Trump.

Em sua avaliação, a legenda terá um nome tradicional para enfrentar um dos dois nas primárias do próximo ano. É essa posição que Bush e Rubio disputam. "Eles tendem a adorar esses rebeldes, mas nunca os escolhem como candidatos", disse o professor.

Além de se sair mal no embate com Rubio, Bush escorregou ao se declarar favorável à regulação governamental de um sistema de "jogos de fantasia" na internet, que está sendo investigado pelo Departamento de Justiça. A posição contrastou com a avalanche de críticas a qualquer intervenção do Estado escutada ao longo de debate.

"Nós estamos sendo atacados pelo Estado Islâmico, temos um déficit de trilhões e ele está falando em regular o futebol de fantasia?", questionou o governador de New Jersey, Chris Christie, que teve uma boa performance no evento promovido pela rede de TV CNBC.

A discussão foi dominada por dois temas caros aos republicanos: corte de impostos e redução do tamanho do governo. Carson defendeu um imposto único de 15%, enquanto o senador Ted Cruz propôs uma alíquota única de 10%.

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