Ruckauf afirma que Mercosul tem ?graves inconvenientes?

?O Mercosul possui gravíssimos inconvenientes, mas temos que trabalhar sobre isto?. Com estas palavras, o novo chanceler argentino, Carlos Ruckauf, definiu sua postura sobre o bloco comercial do Cone Sul. Apesar dos ?inconvenientes? citados, o chanceler sustentou que ?é preciso fortalecer o Mercosul?. Comentando crises comerciais recentes com o Brasil, Ruckauf afirmou que ?não existem relações entre países que não possuam momentos de rispidez. Cada um defende o seu, mas também nos defendemos em conjunto?. Ruckauf sustentou que a integração do Mercosul melhorará se o Brasil e a Argentina tiverem políticas macro-econômicas mais similares. Neste caso, destacou o fato de que a iminente desvalorização da moeda argentina permitirá este tipo de aproximações macro-econômicas. Disparidade cambial Comentando os conflitos causados nos últimos dois anos pela disparidade cambial entre o real e o peso argentino, Ruckauf afirmou: ?não podemos culpar nossos vizinhos por erros cometidos por nós mesmos?. Ruckauf anunciou que viajará para Brasília na quarta-feira, para reunir-se com o chanceler Celso Lafer. ?Meu primeiro telefonema, depois de ter sido designado chanceler, foi para Lafer, a quem expressei meu afeto, além de comunicar a decisão do governo argentino de manter firme a relação com o Brasil?. Segundo Ruckauf, na sexta-feira dia 11, Buenos Aires será o cenário de uma reunião de cúpula dos presidentes do Mercosul. Além dos países do bloco, também estará o presidente do Chile e o ministro das Relações Exteriores da Bolívia. O ex-chanceler Adalberto Rodríguez Giavarini, que comandou as relações argentinas com o Mercosul nos dois anos do governo do ex?presidente Fernando De la Rúa, também estará presente. Sem surpresas O novo chanceler afirmou que todas as medidas econômicas que o governo Duhalde for adotando serão comunicadas imediatamente ao Brasil: ?Não queremos mais supresas no Mercosul?. Além disso, Ruckauf estabeleceu um novo termo para as relações internacionais nda Argentina. Enquanto que durante o governo do ex?presidente Carlos Menem haviam prevalecido as ?relações carnais? (termo cunhado pelo recentemente falecido ex?chanceler Guido Di Tella) com os EUA, a partir do governo Duhalde a Argentina praticará uma política de ?poligamia?. Segundo ele, além do Mercosul, a Argentina pretende se relacionar intensamente com a União Européia, e se dedicará também a flertes com países asiáticos. Chanceler De Ferro Pela primeira vez na História da Argentina, um presidente da República terá em seu gabinete um chanceler com fortes aspirações presidenciais. Mas Ruckauf não somente tem aspirações de substituir Eduardo Duhalde como ocupante da Casa Rosada, a sede do governo, em dezembro de 2003. Ele possui capacidade e aparato para concretizar essas aspirações. Ruckauf, ?Rucucu? para os amigos, é desde esta quarta-feira ex-governador da província de Buenos Aires, a maior e mais rica do país. Ali, seu partido, o partido Justicialista (Peronista) movimenta uma imensa máquina partidária que em poucas ocasiões na História sofreu alguma derrota. Além disso, com o cargo de chanceler, Ruckauf ficará convenientemente longe da província de Buenos Aires, que embora seja a mais rica, também é a mais endividada do país, e onde os conflitos sociais explodem mensalmente. Viajando pelo mundo, Ruckauf, estabelecerá os contatos necessários para em 2003 ter respaldo internacional, além do interno. Em declarações na tarde desta quinta, Ruckauf disse que possui jogo de cintura para representar o país em momentos de grave crise. Ele relembrou que em 1989, logo após a posse de Carlos Menem como presidente da República, foi enviado para ser embaixador na Itália. Leia o especial

Agencia Estado,

03 Janeiro 2002 | 19h33

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