Rudolph Giuliani fala sobre "o pior dia" de sua vida

Um ano depois dos atentados terroristas do World Trade Center, a figura do ex-prefeito Rudolph Giuliani ainda marca presença forte na cidade. O político, que deixou o cargo três meses depois da tragédia, passou os últimos tempos dando palestras em diversos estados americanos e em outros países e cuidando de negócios pessoais. Em maio, ele participou de um documentário do canal por assinatura HBO, que contou os detalhes do dia 11. Esta semana, sob o impacto da morte de sua mãe, Helen Giuliani, de 92 anos, ele voltou a falar sobre o episódio. Em entrevista concedida a jornalistas internacionais em Nova York, Giuliani disse que 11 de setembro de 2001 foi o pior dia de sua vida. "Mas foi também um dos mais intensos", disse. "Esta é a cidade mais internacional do mundo, então, quando fomos atacados, foi como se o mundo inteiro tivesse sido atacado. Mas a coragem, a força e a perseverança que se seguiram superaram os ataques. Os nova-iorquinos ficaram mais fortes naquele dia." O ex-prefeito lembrou que nunca houve um esforço de resgate tão grande quanto na tragédia de um ano atrás, em que cerca de 25 mil pessoas foram salvas. De acordo com ele, os ataques também serviram para tirar o país de um estado de negação em relação ao terrorismo. "Sempre nos sentimos invulneráveis, até por conta dos oceanos que nos cercam", disse. "Achávamos que estávemos protegidos até de ataques aéreos, porque levaria muito tempo para alguém chegar aqui. Mas no dia 11 de setembro, descobrimos que somos humanos, mortais e que qualquer coisa poderia acontecer com a gente também." Giuliani também aproveitou para expressar sua opinião sobre o futuro da região do Ground Zero. "O local do World Trade Center deveria ser exclusivamente um memorial, principalmente pelo fato de que é um cemitério. Milhares de pessoas não foram encontradas", disse. "Eu gostaria de ver uma biblioteca, um museu e uma estrutura alta, que possa ser vista de longe, como um manisfesto que mostre que o bem superou o mal ? em apenas um dia." O ex-prefeito também falou sobre o reforço do alerta para novos atentados terroristas, que foi anunciado ontem. "Por muitos anos, quando tivemos incidentes menos traumáticos, aprendi que você tem de deixar o controle disso para o governo, a polícia e outras autoridades", disse. "O público em geral deve continuar levando a vida normalmente. Temos que confiar no fato de que o governo vai saber lidar com isso. Não há muito o que civis possam fazer. Esse não é o maior risco da sua vida. O risco de doenças, crimes domésticos ou acidentes pode ser maior."Veja nosso especialVeja o especial The New York Times-O Estado de S. Paulo

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