AP/Carolyn Kaster
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Rudy Giuliani e outros advogados pró-Trump são intimados a depor sobre invasão ao Capitólio

Ex-conselheiro do ex-presidente americano deve ser ouvido em 8 de fevereiro

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de janeiro de 2022 | 22h35

WASHINGTON - O comitê do Congresso americano que investiga a invasão ao Capitólio dos EUA em janeiro de 2021 intimou nesta terça-feira, 18, o advogado Rudy Giuliani, ex-conselheiro do ex-presidente Donald Trump, a depor no dia 8 de fevereiro. Além de Giuliani, foram convocados os advogados Sidney Powell e Jenna Ellis e Boris Epshteyn, um conselheiro político de Trump.

Ex-prefeito de Nova York e advogado pessoal de Trump, Giuliani liderou esforços para difundir falsas teorias de fraude eleitoral, na tentativa de questionar a vitória do democrata Joe Biden nas eleições de 2021.

O deputado Bennie Thompson, presidente do comitê, disse em comunicado que o painel espera que os advogados se juntem às quase 400 testemunhas ouvidas até o momento. Eles também deverão entregar documentos aos investigadores.

Robert Costello, advogado de Giuliani, disse em uma entrevista que a intimação era um "teatro político" e que seu cliente estava protegido pelas doutrinas legais, em termos de sigilo advogado-cliente."Acho que não há nada aqui que ele possa testemunhar", disse Costello.

Powell, Epshteyn e Ellis não responderam imediatamente aos pedidos de comentários.

"Os quatro indivíduos que intimamos hoje difundiram teorias não fundamentadas sobre fraude eleitoral, fizeram esforços para anular os resultados das eleições ou estavam em contato direto com o ex-presidente sobre tentativas de interromper a contagem de votos", disse Thompson no comunicado.

Powell, Giuliani e Ellis falaram juntos em uma entrevista coletiva de campanha de Trump em 19 de novembro de 2020, onde prometeram derrubar a vitória eleitoral do presidente Joe Biden. Powell prometeu "liberar o Kraken", comparando seu esforço a um monstro marinho mitológico.

A licença legal de Giuliani em Nova York foi suspensa em junho, depois que um tribunal estadual de apelações descobriu que ele fez declarações "demonstravelmente falsas e enganosas" de que uma fraude eleitoral generalizada prejudicou a eleição, vencida pelo democrata Joe Biden.

O comitê investiga as circunstâncias do ataque e se Trump e membros de seu círculo íntimo ajudaram a encorajá-lo. Várias figuras-chave na órbita do ex-presidente já receberam intimações, incluindo o ex-estrategista da Casa Branca, Steve Bannon, e o ex-chefe de gabinete Mark Meadows. A CNN informou na terça-feira que o comitê intimou e obteve registros de números de telefone associados a um dos filhos de Trump, Eric Trump, bem como de Kimberly Guilfoyle, que está noiva de Donald Trump Jr.

O comitê pretende divulgar um relatório provisório no verão (hemisfério norte) e um relatório final no outono, disse uma pessoa familiarizada com a investigação no mês passado.

Os membros do Comitê disseram que consideram repassar evidências de conduta criminosa de Trump ao Departamento de Justiça dos EUA. Tal movimento, conhecido como encaminhamento criminal, seria amplamente simbólico, mas aumentaria a pressão política sobre o procurador-geral Merrick Garland para acusar o ex-presidente.  /REUTERS e AFP

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