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Rumor de que Chávez trata um câncer acirra divisão política na Venezuela

Políticos governistas desmentem a informação e dizem que presidente voltará ao país em poucos dias

, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2011 | 00h00

CARACAS - A discussão sobre o real estado de saúde do presidente venezuelano, Hugo Chávez, que está internado em Cuba desde o dia 10, ganhou novos contornos ontem, com a publicação pelo jornal venezuelano El Universal de que o líder teria câncer de próstata.

 

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No artigo intitulado Verdades da enfermidade de Chávez, o jornalista Nelson Bocaranda Sardi, conhecido opositor do regime, escreveu que o líder teve a doença diagnosticada durante visita a Havana e continuou na ilha para iniciar seu tratamento. Os chavistas, porém, rebateram a afirmação do jornalista. Segundo o presidente da Assembleia Nacional venezuelana, Fernando Soto Rojas, o presidente não tem câncer. "Eu seria o primeiro a informar ao país (sobre a doença)", afirmou.

Em sua coluna, uma das mais lidas da Venezuela, Bocaranda descreveu que uma tontura repentina, "quando estava conversando com Fidel (Castro)" foi a causa da cirurgia de retirada de um abscesso pélvico anteriormente divulgada pelo governo de Caracas. O texto afirma que, nesse primeiro momento, o presidente foi atendido por um médico espanhol que trata de Fidel.

"Uma tomografia revelou um dano maior em sua próstata e se determinou, após a operação do abscesso, que uma extirpação deveria ser feita." Segundo Bocaranda, um "urologista caraquenho (...) dirigiu por vídeo a cirurgia prostática com (o uso de) um robô" controlado pelo médico espanhol.

Segundo Bocaranda, um imunologista venezuelano que atua em Miami e em Boston, nos EUA, "foi levado a Havana para realizar os cortes para a biópsia por congelamento". O exame teria sido realizado em um centro de análises americano, onde o câncer foi descoberto e especialistas determinaram "que se devia começar o tratamento de imediato".

"Radiação e bloqueio hormonal começaram a ser aplicados", afirmou o jornalista, que disse ter informações contraditórias sobre quais foram exatamente os procedimentos aplicados em Chávez. "Minhas fontes cubanas me assinalam que (o presidente venezuelano) fará uma rápida aparição pública antes de voltar a Caracas", disse Bocaranda, acrescentando que o líder deve estar de volta à Venezuela na quinta-feira.

No sábado, o diário americano El Nuevo Herald, de Miami, havia afirmado que o estado de saúde do presidente venezuelano é "crítico". Em sua página no Twitter, porém, Bocaranda disse ontem que "o presidente Chávez já está de pé. Acelera seu regresso após a recuperação. Volta com todos os seus familiares antes do (dia) 30".

Bocaranda afirmou que o Hospital Militar Carlos Arvelo, em Caracas, acelerou uma reforma na área presidencial para receber o líder esta semana. A intenção de Chávez seria voltar a tempo para a Cúpula da América Latina e do Caribe sobre integração e desenvolvimento (Calc) e os desfiles militares que marcarão os 200 anos da independência venezuelana, no dia 5.

Segundo o texto de Bocaranda, as informações divulgadas pelo governo de Caracas sobre telefonemas que Chávez teria realizado a vários de seu ministros durante sua internação eram falsas "em sua maioria". "Só o vice-presidente, não juramentado como presidente, Elías Jaua, e o chanceler, Nicolás Maduro, falaram (com Chávez) em oportunidades contadas". O jornalista disse ter preservado os nomes dos médicos com quem obteve essas informações para evitar que eles sejam perseguidos.

De acordo com o artigo, quatro filhos, uma ex-mulher, a mãe e um irmão do presidente o acompanharam "em diferentes momentos de sua recuperação no centro de saúde cubano". Pelo Twitter, Chávez agradeceu no sábado a companhia de sua filha Rosinés e três netos. "Ah, que felicidade ganhar esse banho de amor!"

Ao vivo na TV, a mãe do líder venezuelano, Elena Frías de Chávez, desejou saúde para ele ontem. "Uma saudação e a bênção para meu filho querido. Que o poder de Deus o cure rápido e o traga para mim", afirmou, após um encontro do governista Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV). Religiosos realizaram ontem diversos rituais cristãos e indígenas pedindo a melhora de Chávez. / EFE e AFP

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