Rumor sobre 'dublê' faz China apertar censura

Censores tentam conter onda de especulação na internet de que mulher condenada à morte não era a poderosa Gu Kailai

CLÁUDIA TREVISAN, CORRESPONDENTE / PEQUIM, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2012 | 03h04

"Dublê" e "substituta" passaram a fazer parte da lista de palavras vetadas pelos censores chineses nas versões locais do Twitter - a rede social criada nos EUA está proscrita na China. O objetivo é evitar a proliferação dos rumores de que a Gu Kailai que apareceu em um tribunal de Hefei, no dia 10, não é a verdadeira Gu Kailai.

Gu é filha de um general revolucionário e mulher de Bo Xilai, político que parecia destinado a ocupar as mais altas esferas do poder na China até se envolver em um obscuro caso de corrupção e homicídio.

A mulher de Bo integra o grupo que mais se aproxima da nobreza dentro do Partido Comunista chinês. Aos olhos da maioria da população, essa casta desfruta de privilégios. De acordo com a teoria conspiratória que ganha força a cada dia, entre as prerrogativas dos aristocratas vermelhos estaria a possibilidade de contratar dublês que fazem as vezes de acusados em tribunais e de condenados nas prisões.

Não há nenhuma comprovação de que a Gu que confessou ter matado o britânico Neil Heywood não seja a verdadeira Gu Kailai. No entanto, a precaução dos censores de Pequim mostra o grau de suspeição que permeia a sociedade chinesa em relação à elite do Partido Comunista.

A mulher de Bo está alguns quilos acima daquela que chegou a ser chamada de "Jackie Kennedy da China". Até o Financial Times chegou a duvidar da identidade de Gu em duas linhas de reportagem publicada na segunda-feira. "Dois especialistas em segurança familiarizados com softwares de reconhecimento facial disseram que a pessoa mostrada em imagens do tribunal exibidas pela televisão estatal não era a Gu".

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