Rumsfeld admite que guerra do Iraque "não vai bem"

Em suas primeiras declarações públicas após anunciar que deixará seu posto, o secretário de Defesa dos Estados Unidos e um dos principais arquitetos da invasão do Iraque, Donald H. Rumsfeld, admitiu nesta quinta-feira que a guerra "não está indo bem ou rápido o suficiente". Em um pronunciamento concedido a uma platéia amigável de estudantes, professores e militares da Universidade Estadual do Kansas, Rumsfeld falou pouco sobre sua eminente saída da Secretaria da Defesa. Em compensação, ofereceu uma retrospectiva de suas duas passagens como chefe do Pentágono, e ecoou a avaliação do presidente Bush de que o conflito no Iraque têm tomado rumos desfavoráveis. "Para mim está muito claro que o combate principal foi um enorme sucesso", disse ele, referindo-se à invasão, ocorrida em 2003, e que resultou na queda do regime em poucas semanas. "Agora, está claro que a fase dois não está indo bem ou rápido o suficiente", admitiu. "Houveram avanços impressionantes" no Iraque, esquivou-se Rumsfeld. "O país desenvolveu uma constituição. As escolas e os hospitais estão abertos. Eles têm um mercado de ações e imprensa livre", discursou. Mas essas conquistas, admitiu, terão que ser pesada "contra o fato de que há violência sectária. As pessoas estão sendo mortas e muçulmanos estão sendo assassinados por extremistas muçulmanos". Desde que os Estados Unidos derrubaram o ditador Saddam Hussein, uma violenta insurgência e - nos últimos meses - uma sangrenta guerra entre muçulmanos xiitas e sunitas ameaçam o futuro do país árabe. Diante deste contexto, os políticos democratas pediram a renúncia do secretário após a vitória do partido nas eleições de terça-feira. A insatisfação com o curso da guerra do Iraque foi uma das principais forças que acabaram com uma hegemonia republicana de 12 na Câmara dos Representantes (deputados) e Senado. Durante sua palestra, Rumsfeld recusou-se em tecer comentários sobre o ex-chefe da CIA Robert Gates, indicado pelo presidente Bush para substituí-lo no Pentágono. A nomeação de Gates ainda precisará ser aprovada pelo Senado americano. O "futuro" ex-secretário de Defesa também não quis dar uma nota para sua performance no cargo, um serviço que vem exercendo desde o início da administração Bush. "Eu deixarei a história se preocupar com isso."

Agencia Estado,

09 Novembro 2006 | 21h04

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