Rumsfeld alerta para ameaças piores de terrorismo

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald H. Rumsfeld, disse nesta quinta-feira que agora seu país deve se preparar para potenciais ataques "muito mais mortais" do que os atentados de 11 de setembro. Em um discurso para apoiar uma justificativa do governo para propor um aumento de US$ 48 bilhões para o orçamento da defesa em 2003, Rumsfeld alegou que os Estados Unidos estão vulneráveis a novas formas de terrorismo, desde ataques cibernéticos a ataques contra bases militares norte-americanas no exterior e ataques de mísseis balísticos contra cidades na porção continental do país. Seu discurso na Universidade de Defesa Nacional coincidiu com novas indicações de que extremistas estariam analisando a possibilidade de promover diversos possíveis ataques. A polícia federal norte-americana (FBI, por sua sigla em inglês) alertou ontem que membros da organização Al-Qaeda estariam estudando os sistemas norte-americanos de saneamento e distribuição de água para preparar novos ataques. Em um relatório elaborado pelo Congresso dos EUA e levado ao conhecimento público na quarta-feira, o diretor da CIA, o serviço secreto norte-americano, George Tenet, disse que diagramas rudimentares de armamentos nucleares foram encontrados num suposto esconderijo da Al-Qaeda em Cabul, capital do Afeganistão. Outras descobertas realizadas no país incluem prospectos de usinas nucleares norte-americanas. Apesar disto, não estava claro se havia novos planos de atentados contra os Estados Unidos. Segundo Rumsfeld, não existem dúvidas de que nos próximos anos os norte-americanos serão surpreendidos por ataques menos convencionais e mais imprevisíveis que os atentados promovidos pelos seqüestradores de aviões que deixaram mais de 3.000 mortos no World Trade Center, em Nova York, e no Pentágono, em Washington. Ele alertou que os supostos novos adversários poderiam atacar de formas inesperadas com armas de maiores alcance e poder de destruição. Aparentemente, ele se referia a mísseis balísticos, armas que os Estados Unidos temem que países como Coréia do Norte, Irã ou Iraque utilizem contra eles ou vendam a grupos dispostos a promoverem atentados. "Estes ataques poderiam ser ainda mais mortais do que aqueles que nós sofremos" em 11 de setembro, supôs o secretário. O discurso tem a intenção de justificar mais gastos com uma vasta gama de armas e outros programas militares, apesar de Rumsfeld não ter feito nenhuma referência específica sobre tais gastos.

Agencia Estado,

31 Janeiro 2002 | 22h58

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