Rumsfeld duvida que Israel negociará com Autoridade Palestina

O secretário da Defesa dos Estados Unidos, Donald H. Rumsfeld, disse nesta terça-feira "não ter dúvidas" de que a Autoridade Palestina está envolvida com atividades terroristas, apesar das promessas de cuidar da segurança. Rumsfeld também afirmou duvidar que Israel possa ceder território ao governo palestino. As declarações do secretário de Defesa foram feitas pouco antes do Departamento de Estado dos EUA anunciar a visita de três ministros de gabinete palestinos a Washington, na quinta-feira. Eles deverão se reunir com o secretário de Estado, Colin Powell, e com a conselheira de Segurança Nacional do presidente George W. Bush, Condoleezza Rice. Rumsfeld negou-se a exigir de Israel que abandone as colônias judaicas construídas em território autônomo palestino. Ele referiu-se à Cisjordânia como "suposto território ocupado", mostrando divergências em relação à visão do governo Bush, segundo a qual Israel ocupa militarmente o território palestino. "Minha opinião sobre os supostos territórios ocupados é de que há uma guerra", disse Rumsfeld. "Israel pediu aos países vizinhos que não se envolvessem no que já estava começado. Todos eles entraram uma vez e perderam muita terra para Israel", afirmou Rumsfeld. Ele referia-se à Jordânia, que controlava Cisjordânia e Jerusalém Oriental até entrar, ao lado de Egito e Síria, na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Israel venceu e a Jordânia ficou sem seus territórios. Desde então, alega Rumsfeld, Israel ofereceu seu recuo, "mas o outro lado não chegou a um acordo". Em determinado momento, o secretário comentou que "seria estabelecida alguma espécie de entidade" com a qual Israel possa negociar com segurança. "Talvez alguns expatriados palestinos retornem à região e possam governar de uma forma responsável, capaz de gerar confiança de que um acordo será respeitado", disse ele. Sobre os assentamentos judaicos, Rumsfeld disse ser "difícil saber" se Israel desistirá deles. Powell e Rice se reunirão com um importante assessor de Yasser Arafat, Saeb Erekat, com o ministro da Economia, Maher el-Masri, e também o ministro do Interior, Abdel Raza Yehiyeh.

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