Rumsfeld e Blair prometem apresentar provas contra o Iraque

O secretário de Defesa americano, Donald Rumsfeld, disse hoje que o governo dos EUA deve oferecer "em breve" provas de que o regime iraquiano é uma ameaça para a segurança mundial. O anúncio de Rumsfeld foi feito pouco depois de o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, ter afirmado em Sedgefield, na Inglaterra, que "dentro de algumas semanas" será publicado um documento com todas as provas acumuladas pelos aliados sobre o programa de armas de destruição em massa de Saddam Hussein.Além de Israel, a Grã-Bretanha é o único aliado dos EUA cujo governo tem-se mostrado favorável a uma ação militar contra o Iraque - apesar de a maioria da população britânica não aprovarum eventual ataque, de acordo com pesquisas. Os outros membros da coalizão que lutou contra o Iraque na Guerra do Golfo, iniciada com a invasão iraquiana ao Kuwait, em 1990, consideram que não há provas suficientes contra Saddam para justificar um novo ataque. O regime iraquiano expulsou os inspetores de armas da ONU de seu país em 1998, acusando-os de serem espiões a serviço dos EUA.Utilizando um discurso mais enérgico, numa clara tentativa de vencer a resistência dos britânicos, Blair advertiu que o Iraquedeve cumprir integralmente as obrigações impostas a ele peloConselho de Segurança da ONU após a Guerra do Golfo  renunciando às armas químicas, biológicas e nucleares ? ou "enfrentar uma mudança de regime"."Ou o regime começa a funcionar de uma maneira completamentediferente - e não temos muitos sinais de que isso esteja ocorrendo - ou ele será deposto", disse Blair, acrescentando que nem Washington nem Londres têm alguma decisão sobre o tipo de ação que seria tomada para depor o "desprezível e odioso regime" de Saddam."O mais importante é que a ONU seja um caminho para a solução de problemas e não um instrumento para que algumas pessoas evitem que esses problemas sejam resolvidos", prosseguiu Blair. Ele se referiu à manifestação de Rússia e China, dois membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU - portanto, com o poder de vetar resoluções -, contrárias à ação contra Saddam.Rumsfeld, por seu lado, evitou dar mais detalhes sobre suasdeclarações, mas afirmou que Saddam está a ponto de obter armasnucleares.Pesquisas recentes demonstram que a maior parte da populaçãoamericana está disposta a apoiar uma intervenção no Iraque desdeque os EUA contem para isso com o respaldo da ONU e dacomunidade internacional.O tema do eventual ataque de Washington contra o Iraque devemdominar os debates dos 20 chanceleres da Liga Árabe, que sereúnem amanhã e depois no Cairo. "Essa é uma reunião ordinária,mas o período no qual ela ocorrerá é extraordinário", declarouhoje o porta-voz da entidade, Heshan Youssef.Analistas árabes têm expressado insistentemente os temores deque uma ação militar dos EUA no Iraque desestabilize politicamente a região. Os governos do Egito e da Arábia Saudita dois importantes parceiros de Washington durante a Guerra do Golfo, já tornaram público esse receio.

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