Rumsfeld faz visita ao Iraque para se despedir das tropas

O secretário de Defesa demissionário dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, fez uma visita de surpresa ao Iraque, poucos dias depois de uma comissão bipartidária americana ter se referido à situação no país, invadido em 2003, como "séria e em deterioração", e dito que a política do atual governo dos EUA para com o Iraque não está funcionando. "Pelos últimos seis anos tive a oportunidade e, devo dizer, o privilégio de servir com as maiores Forças Armadas sobre a face da Terra", disse Rumsfeld, que tem 74 anos, em discurso para mais de 1.200 fuzileiros na base de Al-Assad, na província de Anbar, uma área o oeste do Iraque onde a insurgência é forte."Parto compreendendo que a verdadeira força das Forças Armadas dos estados Unidos não está em Washington, não está no Pentágono, não está nas armas. Está nos corações dos homens e mulheres que servem. É o seu patriotismo, é o seu profissionalismo e, de fato, sua determinação", disse ele, segundo nota divulgada pelo Departamento de Defesa."Sentimos uma grande urgência para proteger o povo americano de outro 11/9 ou de 11/9 vezes dois ou três. Ao mesmo tempo, precisamos ter paciência para levar a tarefa até o sucesso. As conseqüências de um fracasso são inaceitáveis", disse o secretário. "O inimigo deve ser derrotado".Ele também se reuniu com forças americanas em Balad, 80 km ao norte de Bagdá, de acordo com a Defesa americana.Pelo menos 2.930 militares americanos morreram desde o início da guerra no Iraque, em março de 2003. Em Bagdá, porta-vozes militares não souberam confirmar a presença de Rumsfeld no país, ou quanto tempo ele ficaria no Iraque. A Embaixada americana diz não ter informações, porque a visita foi coordenada pelas Forças Armadas. O Pentágono recusou-se a informar se Rumsfeld ainda estaria no Iraque, se já teria partido ou para onde seguirá.A viagem de Rumsfeld, sua 15ª visita ao Iraque desde o início da guerra, segue-se a uma cerimônia de adeus no Pentágono, em Washington, na sexta-feira. Naquela oportunidade, Rumsfeld defendeu sua atuação na condução da guerra, e disse que o pior dia de seus quase seis anos à frente da defesa dos Estados Unidos foi o dia em que descobriu os abusos de prisioneiros em Abu Ghraib. Nesse presídio iraquiano, soldados dos EUA torturavam detentos iraquianos.A cerimônia no Pentágono e a viagem ao Iraque estão entre as poucas aparições públicas do secretário desde que o presidente George W. Bush anunciou, em 8 de novembro, que Rumsfeld não permaneceria no cargo. O último expediente de Rumsfeld como titular da pasta será 17 de dezembro.

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