Rumsfeld visita prisão onde houve tortura de iraquianos

Inesperadamente, o secretário da Defesa (Pentágono) dos EUA, Donald Rumsfeld, foi a Abu Ghraib, a oeste de Bagdá, numa empreitada destinada a assegurar às tropas e à opinião pública americanas que o escândalo de torturas e maus-tratos nessa prisão iraquiana não vai abalar a "missão" do país no Iraque, e que não houve acobertamento dos abusos cometidos contra os prisioneiros.Mas, em vez de uma acolhida entusiástica, Rumsfeld ouviu dos soldados um turbilhão de perguntas sobre problemas das tropas. Um soldado perguntou quando eles iriam receber melhores coletes e reforço na blindagem dos veículos militares. Outro quis esclarecer dúvidas sobre o seguro médico dos filhos e um terceiro, se a ONU enviaria tropas e quando isso iria acontecer. Em alguns momentos, parecia que ele estava dando uma entrevista coletiva à imprensa.Rumsfeld passou sete horas em Abu Ghraib, durante as quais percorreu o presídio onde ocorreram os abusos de iraquianos comprovados em fotos divulgadas por jornais e TVs de todo o mundo. Uma grande quantidade de fotografias e vídeos com cenas de torturas e maus-tratos ainda mais chocantes, segundo constataram congressistas americanos na quarta-feira, não foi divulgada ao público.O chefe do Pentágono disse não se opor à difusão de todas as fotografias em mãos dos militares, mas os advogados de seu departamento instruíram-no a não divulgá-las porque há restrições legais. Ele citou a terceira e a quarta convenção de Genebra, sobre a proteção dos prisioneiros de guerra "contra atos de violência ou intimidação, insultos e curiosidade pública".

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