Rupert Murdoch diz que não é culpado por escutas ilegais

Magnata da comunicação disse que este é 'o dia mais humilhante' de sua vida

estadão.com.br

19 de julho de 2011 | 11h09

Atualizado às 14h02

 

Televisões mostram Rupert Murdoch durante audiência no Parlamento britânico

 

LONDRES - O magnata da imprensa Rupert Murdoch disse nesta terça-feira, 19, que não é culpado pelo escândalo dos grampos ilegais praticados pelo tabloide News of the World. "As pessoas em quem confiei é que são culpadas", afirmou Murdoch.

 

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O empresário australiano e seu filho James Murdoch depõem perante ao Comitê de Meios de Comunicação da Câmara dos Comuns do Parlamento britânico. "Esse é o dia mais humilhante de toda a minha vida", disse Rupert aos deputados.

 

Já seu filho, James, desculpou-se às vítimas e seus familiares afetados pelas escutas ilegais, e afirmou que "essas ações não refletem os parâmetros de qualidade que nossa companhia aspira". Segundo ele, a companhia agiu da maneira mais rápida e transparente possível.

 

Ainda sobre as escutas ilegais, Rupert disse que não havia sido informado de que sua companhia pagou "grandes quantidades", 700 mil libras, para encerrar processos jurídicos das vítimas dos grampos. Ele disse ainda não conhecer Neville Thurlbeck, ex-chefe de Redação do News of the World, que é alvo de uma investigação civil sob acusação de chantagem. "Nunca ouvi falar dele", respondeu a um parlamentar.

 

'Chocado e envergonhado'

 

O magnata de 80 anos falou que estava "chocado, estarrecido e envergonhado" com o caso das escutas ilegais de Milly Dowler, garota de 13 que foi sequestrada em 2002 e teve mensagens de celular apagadas, atrapalhando as investigações sobre seu posterior assassinato.

 

Entretanto, Murdoch deixou claro que "não há provas" de que o jornal tenha praticado escutas ilegais com vítimas do 11 de setembro nos Estados Unidos. O FBI investiga as acusações.

 

'Menos de 1%'

 

Rupert Murdoch disse que o News of the World representa "menos de 1%" do conglomerado News Corp., que emprega 53 mil pessoas. Segundo o magnata, ele trabalha de 10 a 12 horas por dia, e não tem tempo de falar com todos os seus editores. Sobre o fechamento, no domingo, 10, do News of the World, Murdoch negou que a decisão tenha sido motivada por considerações financeiras. Segundo ele, o tabloide foi fechado devido a acusações criminais.

 

Perguntado por um parlamentar se havia um motivo financeiro para o fechamento do jornal, Rupert Murdoch, disse: "Longe disso". Havia especulações de que Murdoch queria fechar o jornal dominical a fim de fundir suas operações com o Sun, que circula seis dias por semana. A nova publicação seria relançada circulando durante toda a semana.

 

Perguntado se abriria uma novo tabloide dominical, Rupert Murdoch disse que "não". Mas o filho disse "não ter planos imediatamente".

 

Durante a audiência, um rapaz conseguiu entrar no local e jogou creme de barbear contra Murdoch, que não foi ferido. O jovem foi retirado do local por policiais. Por conta do ataque, a sessão foi interrompida durante quinze minutos, pouco antes de ser concluída.

 

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Com agências

 

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