Ruralistas argentinos anunciam locaute a partir de 6ª

Os líderes rurais da Argentina farão um locaute (greve patronal) a partir de sexta-feira até o dia 4 de setembro, endurecendo o conflito com o governo da presidente Cristina Kirchner. Nesse período vão interromper a comercialização de grãos e de gado. A medida foi anunciada pelo presidente do Coninagro, Carlos Gareto, após reunião das entidades, realizada nesta tarde. A decisão se deve "à falta de resposta para algumas reivindicações do setor, somada ao veto que o governo fez à Lei de Emergência Agropecuária, que foi sancionada pela Câmara e pelo Senado, a qual teria sido um caminho propício ao diálogo", explicou Gareto.

MARINA GUIMARÃES, Agencia Estado

25 de agosto de 2009 | 20h14

Hoje o Poder Executivo publicou no Diário Oficial o veto ao artigo da mencionada lei, que previa a isenção, em alguns casos, ou redução em 50% do pagamento das "retenções" (impostos sobre exportações) por 180 dias para as regiões mais afetadas pela seca. Segundo o presidente da Sociedade Rural, Hugo Biolcati, os produtos perecíveis não farão parte do locaute. "Não haverá nenhum problema de abastecimento porque está permitida a comercialização de produtos frescos", avisou.

Tudo indica que o conflito entre os produtores e o governo vai ganhar nova escalada, a exemplo do que ocorreu no ano passado, de março a julho, quando o país ficou praticamente paralisado pelos locautes e protestos nas rodovias. O governo já contra-ataca com a aceleração de um projeto de lei que muda as regras do arrendamento de terras, contrariando as reivindicações dos líderes rurais. Na Justiça, a Casa Rosada também dá um empurrão em uma ação na qual as entidades rurais são investigadas por "coação agravada". O processo foi aberto no ano passado por um advogado contra a Sociedade Rural e outras entidades por realizar bloqueios de rodovias como forma de protesto contra o governo.

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