Ruralistas argentinos prometem resistir a confisco de Cristina

Entidades de produtores agropecuários protestam contra estatização das instalações da Sociedade Rural Argentina

ARIEL PALACIOS, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES , O Estado de S.Paulo

05 de janeiro de 2013 | 14h37

Associações de produtores agropecuários, durante uma assembleia realizada na cidade de Azul, na Província de Buenos Aires, decidiram ontem resistir ao confisco do histórico centro de exposições da Sociedade Rural Argentina, no bairro nobre portenho de Palermo. Os ruralistas anunciaram que instalarão uma barraca na frente do lugar, para tentar impedir o despejo, marcado para o dia 20.

O confisco das instalações da Sociedade Rural Argentina foi anunciado em dezembro pelo governo da presidente Cristina Kirchner, que alegou "irregularidades" na privatização dos terrenos, que foi realizada durante o governo do presidente Carlos Menem.

A União Industrial Argentina (UIA) expressou ontem "preocupação" pela situação envolvendo os terrenos da Sociedade Rural, que passariam para as mãos do grupo conhecido como La Cámpora, a juventude kirchnerista. O controle da área, localizada em um lugar privilegiado da capital, é um importante gerador de receita. Em 2012, a Exposição Rural arrecadou US$ 30 milhões com entradas e aluguéis de stands e barracas.

Os terrenos e os edifícios da Sociedade Rural são tradicionalmente os cenários de dois eventos anuais marcados por discursos de tom crítico a Cristina: a Feira do Livro e a Exposição Rural. As diversas feiras e convenções ali realizadas foram visitadas por 5 milhões pessoas no ano passado.

Em protesto contra o confisco, no dia 26 de dezembro, as quatro associações de produtores da Argentina - Sociedade Rural, Coninagro, Confederações Ruralistas Argentinas e a Federação Agrária - protagonizaram um locaute de 24 horas.

Analistas políticos afirmam que a decisão de confiscar a área significa o ressurgimento de uma frente de batalha para a presidente, que nos últimos três anos havia se esquivado de confrontos com os ruralistas, com os quais esteve em pé de guerra em 2008 e 2009.

Os produtores agropecuários afirmam que o confisco é uma vingança de Cristina em razão dos locautes que o setor realizou, em 2008 e 2009, em protesto contra o "impostaço" agrário que o governo tentou implementar.

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