Ruralistas buscam frente eleitoral anti-Kirchner

Além dos locautes, estratégia é a de eleger representantes em eleição legislativa antecipada

REUTERS, O Estadao de S.Paulo

28 de março de 2009 | 00h00

Enquanto continuam a bloquear estradas e a exigir a redução das tarifas de exportação, agricultores argentinos apostam numa nova estratégia para pressionar o governo de Cristina Kirchner: aumentar a participação de seus aliados no Congresso. Para os ruralistas, as eleições legislativas, antecipadas na quinta-feira para junho, são uma oportunidade para ampliar seu poder de fogo no conflito com a presidente. "Apostaremos em candidatos comprometidos com a nossa causa", disse Eduardo Buzzi, presidente da Federação Agrária Argentina. "Sabemos que o governo fará da votação uma escolha simples: ou você está conosco ou com os agricultores."A tensão entre os dois grupos aumentou desde que Cristina anunciou a formação de um fundo para obras de infraestrutura com os recursos do imposto de 35% sobre as vendas de soja, no dia 20. Os ruralistas exigem uma redução nesse imposto e, em protesto contra o projeto, suspenderam a venda de grãos e carnes. Ontem, eles bloquearam as estradas da Província de Entre Ríos. Em 2008, os ruralistas também paralisaram estradas por várias semanas em protesto contra um aumento de tarifas sobre exportação agrícola. Na época, o governo sofreu uma dupla derrota. Primeiro, o projeto não passou no Congresso. Segundo, o conflito com os ruralistas acabou prejudicando a imagem da presidente. Desde que Cristina assumiu, em 2007, sua popularidade caiu de 53% para 30%. E as eleições de junho são vistas como um referendo sobre o seu governo. Foi a presidente quem propôs adiantar a votação, prevista inicialmente para outubro, argumentando que o país precisa se livrar logo das indefinições políticas para combater os efeitos da crise global. Opositores, porém, denunciam que a verdadeira motivação da antecipação é impedir que grupos rivais se organizem e aumentar as chances dos candidatos governistas num cenário que se torna mais desfavorável para eles a cada mês. Ontem, a principal coalizão opositora decidiu quem liderará sua chapa na Província de Buenos Aires: o empresário Francisco de Naváez. O marido de Cristina, Néstor Kirchner, se candidatará a senador por essa província.

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