Ruralistas esperam reverter ação do Estado contra setor agropecuário

A derrota do casal Kirchner nas eleições do domingo fortaleceu esperanças dos produtores agropecuários argentinos de que ocorram cortes de impostos e um recuo na intervenção do Estado nos mercados. Em 2008, protestos do setor derrubaram os índices de popularidade da presidente Cristina Kirchner e provocaram fortes quedas nos mercados financeiros locais. Mas,nos meses que precederam as eleições, ruralistas se concentraram em ganhar influência no Congresso. A eleição, na qual mais de dez líderes ruralistas conquistaram assentos no Legislativo, deu força a três principais cenários para o confronto. No primeiro, a bancada agropecuária no Legislativo terá de conquistar o apoio da oposição aos Kirchners para aprovar leis favoráveis ao setor. Há, porém, o risco de o governo manter forte influência sobre o Senado, se conseguir atrair parte dos atuais opositores.Outra possibilidade seria o retorno à mesa de negociações do governo e dos ruralistas. Cristina poderá ser persuadida a dialogar com a oposição, após o revés de domingo nas urnas. Mas é pouco provável que taxas de exportação, como a de grãos, sejam reduzidas. Isso porque esse imposto constitui uma fonte de renda fundamental para o governo.Há ainda a possibilidade de o casal Kirchner intensificar seu projeto de governo, marcado por uma forte heterodoxia econômica. Analistas afirmam que a intervenção do Estado na economia poderá ganhar força para compensar o isolamento político do governo e abrir espaço para as eleições de 2011. Mas líderes ruralistas temem a ação estatal, sobretudo a possível criação de uma junta para controlar o comércio de grãos na Argentina.

Reuters, O Estadao de S.Paulo

30 de junho de 2009 | 00h00

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