Ruralistas paraguaios fazem paralisação de 48 horas

Os grandes produtores rurais do Paraguai iniciaram hoje uma paralisação de 48 horas pela segurança para suas propriedades, por causa da constante ameaça de invasão pelos sem-terra, que exigem a realização imediata de uma reforma agrária. "Levamos nossos tratores para as estradas como uma mensagem aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, para que garantam a propriedade privada", disse o dirigente ruralista Héctor Cristaldo. Ele afirmou que "não bloquearemos estradas nem incomodaremos terceiros". O presidente Fernando Lugo, que viajou hoje para o Brasil, onde participará de uma reunião de cúpula do Mercosul, na Bahia, disse, com aparente ironia: "Se a paralisação não é contra o governo, é lindo." O secretário da Mesa Coordenadora de Organizações Campesinas, Luis Aguayo, disse hoje que "os ricos, os que têm privilégios, são os que se mobilizam". O representante da maior organização de camponeses de esquerda afirmou que os empresários rurais violam as leis ambientais utilizando produtos químicos que contaminam "populações inteiras assentadas nos arredores de seus campos de soja". Ele assinalou também que os fazendeiros destroem a terra e as florestas. "Então, com essa demonstração de força, esperam que o governo siga reprimindo e postergando nossas reivindicações." Aguayo afirmou que "250 hectares de soja são cultivados com apenas um operador de trator, enquanto que 10 hectares de uma família de camponeses, num cultivo de subsistência, dão trabalho a cinco pessoas". "O Paraguai deve mudar seu modelo de produção e não privilegiar poucos indivíduos donos da terra", declarou. Produção Cristaldo lembrou que o Paraguai é o terceiro maior produtor de soja da América do Sul, atrás apenas do Brasil e da Argentina. Em 206 milhões de hectares, o país produz 8 milhões de toneladas de soja por ano. "Mas se os supostos camponeses não nos deixam trabalhar, a produção vai quebrar", disse o dirigente ruralista. Juan Néstor Núñez, presidente da Associação Rural, informou que em 2008 foram exportados US$ 750 milhões de carne, valor recorde para o país. "No entanto, se invadem nossas terras, os recursos (de exportação) não ingressam no país." A União Industrial e a associação dos proprietários de supermercados, lojas e empresas importadoras de alimentos uniram-se à paralisação e pediram aos habitantes de Assunção que hasteassem a bandeira paraguaia em suas casas e escritórios.

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