Ruralistas voltam a marchar na Argentina

As principais associações ruralistas argentinas começaram ontem um locaute que suspenderá temporariamente a comercialização de alguns alimentos - a manifestação vai até a meia-noite de domingo.

Ariel Palacios, O Estado de S.Paulo

18 de janeiro de 2011 | 00h00

Os produtores exigem o fim das restrições que o governo da presidente Cristina Kirchner aplica sobre as exportações de trigo. É o primeiro protesto do setor desde a morte do ex-presidente Néstor Kirchner, em outubro.

Em protestos anteriores, Kirchner representava a ala dura do governo, que se recusava a negociar com os produtores. Sem a presença dele, Cristina tentou acenar com a possibilidade de suavizar as barreiras às exportações de trigo, mas o diálogo fracassou - os ruralistas exigem a extinção das restrições.

De acordo com analistas, as manifestações e o locaute ruralista podem ser uma força desestabilizadora na Argentina, que terá eleições presidenciais e parlamentares em outubro.

Os ruralistas surgiram como força política em 2008, após Cristina decretar o "tarifaço agrário" - aumento de impostos sobre a exportação de produtos agrícolas. Ao contrário dos protestos de 2008, desta vez as manifestações não incluem bloqueios de estradas.

Desabastecimento. No entanto, na quarta-feira, os ruralistas realizarão um manifestação com tratores na cidade de Bahía Blanca, um dos principais portos do país. Um protesto similar está sendo organizado na sexta-feira, em Rosario, terceira cidade do país e maior porto de escoamento de cereais da Argentina.

Desta vez, os ruralistas garantem que não haverá desabastecimento de produtos, como ocorreu dois anos atrás. "Não há risco nenhum", afirmou o presidente da Sociedade Rural, Hugo Biolcatti. "Os protestos são um sinal de alerta que estamos dando para o governo."

Eduardo Buzzi, presidente da Federação Agrária, disse que o novo protesto ruralista pretende "recolocar" os problemas agropecuários na agenda política em ano eleitoral.

PARA LEMBRAR

Em 2008, o governo da presidente Cristina Kirchner passou a cobrar tributos de 30% a 85% sobre a exportação de cereais, oleaginosas e carne. Os ruralistas responderam com bloqueios de estradas e piquetes que paralisaram o país e arranharam a imagem da presidente, que nunca mais recuperou a popularidade que tinha antes.

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