Carlos Barria/REUTERS
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Rush Limbaugh, 'voz do conservadorismo americano', morre aos 70 anos

Radialista se tornou famoso por atacar liberais e o 'politicamente correto'

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2021 | 17h17

O locutor de rádio Rush Limbaugh, uma das vozes mais poderosas da direita americana, morreu nesta quarta-feira, 17, aos 70 anos de idade. Ele sofria de câncer de pulmão e teve a morte anunciada em seu programa por sua esposa, Kathryn.

Limbaugh ficou famoso por seus ataques maliciosos aos liberais e ao 'politicamente correto'. O radialista influenciou o impulso do conservadorismo à direita e a ascensão de Donald Trump.

Inabalavelmente conservador, radicalmente partidário, bombasticamente autopromovedor, Limbaugh galvanizou os ouvintes por mais de 30 anos com seu talento para comentários sarcásticos e insultos.

Ele se autodenominava um artista, mas seus discursos alegres durante seu programa de rádio de três horas durante a semana, transmitido em quase 600 estações dos EUA, moldaram a conversa política nacional, influenciando os republicanos comuns e a direção de seu partido.

Com voz marcante, Limbaugh emitiu suas opiniões com tanta certeza que seus seguidores, ou "Ditto-heads", como ele os apelidou, tomaram suas palavras como verdade sagrada.

"No meu coração e na minha alma, eu sei que me tornei o motor intelectual do movimento conservador", Limbaugh, com sua típica falta de modéstia, disse ao autor Zev Chafets no livro Rush Limbaugh: An Army of One

A revista Forbes estimou sua renda em 2018 em US$ 84 milhões (aproximadamente R$ 454 milhões), ficando atrás apenas de Howard Stern entre as personalidades do rádio.

Limbaugh considerou uma medalha de honra o título de "homem mais perigoso da América". Ele dizia ser o "detector da verdade", o "doutor da democracia", um "amante da humanidade", um a"inofensiva e adorável bolinha fuzz" e um "cara bom e versátil". Ele afirmava ter "talento emprestado de Deus".

Muito antes da ascensão de Trump na política, Limbaugh já ofendia seus inimigos e se enfurecia contra a grande mídia, acusando-a de alimentar o público com mentiras. Ele chamava os democratas e outros de comunistas, malucos, feminazis, extremistas liberais e radicais.

Quando o ator Michael J. Fox, sofrendo de mal de Parkinson, apareceu em um comercial de campanha democrata, Limbaugh zombou de seus tremores. Quando um defensor dos sem-teto de Washington se matou, ele fez piadas sobre o caso. Enquanto a epidemia de AIDS crescia na década de 1980, ele transformou a morte em anedotas. Ele chamou Chelsea Clinton, então com 12 anos, de cachorro.

Ele sugeriu que a posição dos democratas sobre os direitos reprodutivos teria levado ao aborto de Jesus Cristo. Quando uma mulher acusou jogadores de lacrosse da Duke University de estupro, ele a ridicularizou chamando-a de "vadia", e quando uma estudante de Direito da Georgetown University apoiou a expansão da cobertura anticoncepcional, ele a chamou de "vagabunda". Quando Barack Obama foi eleito presidente em 2008, Limbaugh disse categoricamente: "Espero que ele falhe".

Limbaugh era frequentemente acusado de intolerância e racismo flagrante por "piadas" como tocar a música "Barack the Magic Negro" em seu programa. A letra, com o tom de "Puff, the Magic Dragon", descreve Obama como alguém que "faz os brancos culpados se sentirem bem" e é "negro, mas não autenticamente".

Limbaugh tornou-se um fazedor de reis do Partido Republicano. Pesquisas constatavam consistentemente que ele era considerado a voz do partido. Seu ídolo, Ronald Reagan, escreveu uma carta de elogio que Limbaugh orgulhosamente leu no ar em 1992: "Você se tornou a voz número um do conservadorismo".

Durante as primárias presidenciais de 2016, Limbaugh disse que percebeu logo no início que Trump seria o indicado e comparou a profunda conexão do candidato com seus apoiadores à sua própria. Em uma entrevista em 2018, ele admitiu que Trump era rude, mas disse que isso acontecia porque o republicano era "destemido" e "estava disposto a lutar" contra coisas que "nenhum republicano está disposto a lutar".

Trump, por sua vez, elogiou Limbaugh e, durante o discurso do Estado da União no ano passado, concedeu a ele a Medalha Presidencial da Liberdade, a maior homenagem civil da nação, chamando seu amigo de "um homem especial amado por milhões".

Trump ligou para o canal Fox News para falar sobre a morte do amigo nesta quarta-feira, dizendo que eles conversaram pela última vez há três ou quatro dias. Trump disse que Limbaugh era "uma lenda" com instintos políticos impecáveis ​​que "lutou até o fim"./AP

 

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