EFE/Servicio de prensade la Cámara Cívica de la Federación Rusa
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Russa presa por espionagem nos EUA ofereceu sexo em plano secreto, diz investigação

Mulher teria se infiltrado em instituições políticas e utilizado estudo em universidade americana como disfarce para trabalhos secretos

O Estado de S.Paulo

19 Julho 2018 | 15h30

MOSCOU - Funcionários da embaixada da Rússia nos EUA se reuniram nesta quinta-feira, 19, com Maria Butina, ativista russa presa por espionagem. Ela é acusada por promotores de ser uma agente secreta da Rússia, de ter contatos com a FSB, a antiga KGB, e de usar sexo para estabelecer conexões com pessoas influentes nos EUA. Moscou criticou a prisão, que definiu como "histeria antirrussa".

Os documentos de sua audiência, realizada na quarta-feira, revelam as maneiras como Maria trabalhou secretamente para estabelecer linhas de comunicação com o Kremlin e se infiltrou em organizações políticas americanas, incluindo a Associação Nacional do Rifle (NRA, na sigla em inglês).

A embaixada disse, pelo Facebook, que funcionários consulares falaram com Maria pela primeira vez desde que ela foi presa, no domingo, e darão a ela "toda a ajuda necessária". Ela tem 29 anos e nega as acusações. Segundo Moscou, a prisão foi motivada pela política interna dos EUA e pelo clima antirrusso.

Seu pai, Valery Butin, disse que a família não consegue falar com ela desde a prisão. Maria cresceu em um prédio de apartamentos modesto na cidade de Barnaul, na Sibéria, mais perto da Mongólia do que de Moscou. 

Um de seus ex-professores contou à Associated Press que Maria inicialmente pensava em seguir os passos pai, como empreendedora, e abriu uma série de lojas de móveis. No entanto, ela desenvolveu o gosto por política depois de participar de um acampamento para jovens, segundo disse o fundador da Escola de Política Real em Barnaul, Konstantin Emeshin.

"Ela voltou inspirada, tendo conhecido muitas pessoas", disse Emeshin. Mais tarde, Maria se mudou para Moscou, fundou um grupo de defesa dos direitos humanos e, em seguida, foi para os EUA. Em maio, ela se formou pela American University. De acordo com os promotores, os estudos foram um disfarce para as atividades secretas.

Emeshin disse que Maria estava considerando um emprego no Vale do Silício depois de se formar e chegou a dizer que se sentia "em uma encruzilhada". Uma semana antes de sua prisão, Maria pediu a Emeshin contatos de especialistas que defendem "vítimas de repressão política", mas não deu detalhes sobre o pedido. Anteriormente, Maria já havia sido questionada pelo Senado dos EUA e teve seu apartamento revistado pelo FBI.

Agora, a siberiana aguarda julgamento por conspiração e atuação como agente estrangeira não registrada. Ela se declarou inocente, na quarta-feira, mas foi mantida presa, segundo a Justiça americana, em razão do risco de fuga. / AP

 

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