Serviço de imprensa da Câmara Cívica da Federação Russa / EFE
Serviço de imprensa da Câmara Cívica da Federação Russa / EFE

Russa se declara culpada de espionagem nos Estados Unidos

Maria Butina confessou ser agente do Kremlin e admitiu ter se infiltrado em movimentos conservadores para influenciar a política americana

O Estado de S.Paulo

13 Dezembro 2018 | 20h28

A espiã russa Maria Butina, ativista pró-armas presa por espionagem em julho, confessou nesta quinta-feira, 13, ser culpada de conspirar com autoridades russas para tentar se infiltrar em movimentos conservadores dos Estados Unidos como agente do Kremlin de 2015 a 2017. Ela é a primeira cidadã russa a confessar uma tentativa de influenciar a política dos EUA. Butina concordou em cooperar com a Justiça em troca de menos tempo na prisão.

Moscou criticou sua prisão, dizendo que foi motivada pela política interna dos EUA e a “histeria antirrussa”. Butina admitiu ter trabalhado com um agente político americano e sob a direção de um ex-senador russo e vice-governador do banco central da Rússia para forjar laços com autoridades da Associação Nacional do Rifle, o lobby pró-armas dos EUA, líderes conservadores e 2016 e integrantes da campanha presidencial de Donald Trump em 2016.

No começo da semana, os advogados da russa pediram uma audiência com a juíza federal Tanya  Chutkan, para solicitar a mudança de alegação de Butina de “inocente” para “culpada”. Como parte de seu pedido, Butina admitiu ter tentado estabelecer e usar “linhas não oficiais de comunicação com americanos influenciando a política dos EUA” em benefício do governo russo, através de uma pessoa que se encaixa na descrição do banqueiro central russo Alexander Torshin, disse o promotor do caso, Erik Kenerson. Torshin é um dos russos que estão sob sanção dos EUA.

Espera-se que Butina forneça evidências contra Paul Erickson, um consultor do Partido Republicano com quem teve um relacionamento romântico e com quem “trabalhou em estreita colaboração” depois de se encontrarem em Moscou em 2013. Erickson é conselheiro político de longa data na Dakota do Sul, e foi o responsável pela campanha presidencial de Pat Buchanan em 1992.

Em um comunicado na quarta-feira, o advogado de Erickson, William Hurd, disse: “Paul Erickson é um bom americano. Ele nunca fez nada para prejudicar nosso país e nunca o faria”.

Em documentos lidos por promotores nesta quinta-feira, 13, Butina admitiu ter empreendido uma campanha de influência coordenada por Torshin. Solicitando US$ 125.000 de um bilionário russo e citando a influência da NRA sobre o Partido Republicano, Butina viajou “para conferências para socializar com os candidatos presidenciais”, realizar “jantares de amizade com americanos ricos”, criar “laços com os líderes da NRA” e organizar uma “delegação russa” na influente reunião do Café da Manhã Nacional de Oração, um evento anual realizado em Washington que reúne lobistas do mundo inteiro para reuniões e encontros com políticos.

A iniciativa da Butina surgiu durante o que a comunidade de inteligência dos EUA disse ser um esforço concertado do governo russo para ajudar a eleger Trump. Butina foi processada por promotores federais em Washington, mas seu caso não faz parte dos inquéritos do promotor especial Robert Mueller, que investiga o suposto conluio entre a Rússia e a campanha de Trump.

No período que antecedeu a eleição presidencial dos EUA em 2016, Butina emergiu e apareceu em conversas com o governador Scott Walker, de Wisconsin, em uma convenção da NRA em 2015 e participando do lançamento de sua campanha presidencial alguns meses depois.

Mais tarde naquele ano, em um fórum em Las Vegas, Butina perguntou ao então candidato Donald Trump se ele, se eleito, melhoraria a a deteriorada relação entre os EUA e a Rússia. Trump disse que achava que sua eleição melhoraria o relacionamento./AP e AFP

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