Rússia acusa Berezovsky de planejar golpe de Estado

Advogado diz que Kremlin quer a extradição do milionário, refugiado em Londres

Agencia Estado

02 Julho 2007 | 19h15

Promotores russos acusaram nesta segunda-feira, 2, o magnata Boris Berezovsky por conspirar contra o Kremlin. Os advogados se baseiam em uma entrevista concedida ao jornal The Guardian em abril, no qual o milionário afirmou que a força era necessária para trazer uma mudança de poder na Rússia.O advogado do magnata, Andrei Borovkov, seu cliente "foi acusado de conspiração para tomar o poder em um golpe violento". Berezovsky vive no Reino Unido onde ele tem status de refugiado.A acusação foi feita pelo serviço secreto russo FSB e está relacionada a uma entrevista que o magnata deu em 13 de abril, no qual insinuou estar financiando pessoas próximas ao presidente que conspiram para dar um golpe. "É impossível mudar o regime através de meios democráticos. Não pode haver mudança sem força, pressão", disse o empresário, de 61 anos."Eu realmente apoio utilizar outros métodos para pressionar por uma mudança pela volta da democracia. Entretanto, eu quero que fique bem claro que todos esses métodos não seriam violentos", disse Berezovsky em comunicado durante a repercussão de sua entrevista ao Guardian .Reagindo à publicação da entrevista, Moscou pediu a extradição do magnata para que ele pudesse ser julgado, contudo, Londres impede sua saída por causa de seu status de refugiado. A Rússia tenta há anos extraditar Berezovsky para que ele enfrente acusações de corrupção.Para o novo pedido, ainda não há confirmação de autoridades de que as acusações tenham sido acolhidas. AtritoAs relações entre o Reino Unido e a Rússia ficaram estremecidas depois da morte por envenenamento do exilado e crítico do Kremlin, Alexander Litvinenko, em Londres, em novembro de 2006.Berezovsky também acredita que o Kremlin esteja por trás da morte de Litvinenko, ex-agente da KGB (a polícia secreta soviética), o qual chegou a afirmar em um documento sobre sua suspeita.Litvinenko foi envenenado em Londres no dia 1 de novembro de 2006, após se encontrar em um hotel com o ex-colega Andrei Lugovoi e outro empresário russo Dmitri Kovtun.Em entrevista coletiva concedida em maio, Lugovoi negou participação no assassinato e afirmou que Litvinenko trabalhava para os serviços secretos britânicos MI-6 em uma investigação contra a Rússia. Além disso, Lugovoi diz que também recebeu proposta do MI-6, assim como Berezovsky.A Rússia e o Reino Unido, atualmente, investigam as declarações dos envolvidos com a morte de Litvinenko, também ferrenho crítico do governo russo.

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