Maxim Shemetov / Reuters
Maxim Shemetov / Reuters

Rússia acusa Estados Unidos de 'guerra econômica' e promete mais retaliações a sanções

Para o Kremlin, sanções do Ocidente são ato hostil que pode ampliar turbulência nos mercados globais de energia de maneira imprevisível

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de março de 2022 | 15h24

MOSCOU - O Kremlin acusou os Estados Unidos nesta quarta-feira, 9, de declarar uma guerra econômica à Rússia que estava semeando o caos nos mercados de energia, e alertou Washington de que estava considerando sua resposta à proibição do petróleo e da energia russos.

A economia da Rússia está enfrentando a crise mais grave desde a queda da União Soviética em 1991, depois que o Ocidente impôs pesadas sanções a quase todo o sistema financeiro e corporativo russo após a invasão da Ucrânia por Moscou.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, classificou as sanções do Ocidente como um ato hostil que agitou os mercados globais e disse não estar claro até onde iria a turbulência nos mercados globais de energia. Moscou, porém, agora pensa muito seriamente sobre uma resposta, disse Peskov.

"A situação exige uma análise bastante profunda - as decisões anunciadas pelo presidente Biden", disse Peskov. "Se você está me perguntando o que a Rússia vai fazer - a Rússia fará o que for necessário para defender seus interesses."

Ele se recusou a descrever a natureza exata da resposta da Rússia. O presidente Vladimir Putin, realizará uma reunião com o governo na quinta-feira para discutir a minimização do impacto das sanções, disse o Kremlin.  Ontem, o líder russo assinou um decreto para banir as exportações de matéria-prima russa.

Impacto nos mercados

A tentativa do Ocidente de cortar a Rússia - um dos maiores exportadores mundiais de petróleo, gás e metais - atingiu os mercados de commodities e aumentou o espectro da inflação em espiral em todo o mundo.

Na terça-feira, Estados Unidos e Reino Unido anunciaram um embargo sobre as importações de petróleo e gás russos. 

A Europa, no entanto, se nega no momento a decretar um embargo sobre as importações destes produtos russos, que cobrem 40% de suas necessidades de gás natural e 30% de petróleo. A lista de empresas ocidentais que suspenderam as atividades na Rússia também é grande, o que provoca o temor de demissões em larga escala.


O presidente russo, Vladimir Putin, disse que a "operação militar especial" é essencial para garantir a segurança russa depois que os Estados Unidos ampliaram a aliança militar da Otan para as fronteiras da Rússia e apoiaram líderes pró-ocidentais em Kiev.

A Ucrânia diz que está lutando por sua existência e os Estados Unidos, e seus aliados europeus e asiáticos condenaram a invasão russa. A China, a segunda maior economia do mundo, pediu moderação, mas o presidente Xi Jinping alertou que as sanções desacelerarão a economia mundial.

Questionado sobre os comentários do Kremlin, o vice-conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, Daleep Singh, disse: "Esta é uma guerra de agressão brutal e desnecessária. Dissemos o tempo todo que, se a agressão aumentar, os custos também aumentarão".

"Eu não chamaria de guerra econômica. Esta é a nossa maneira de demonstrar determinação", disse Singh. /Reuters, AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.