Mikhail Klimentyev /AP
Mikhail Klimentyev /AP

Rússia reconhece que explosão de foguete envolveu funcionários de agência nuclear

De acordo com especialistas, testes podem estar relacionados a míssil de cruzeiro Burevestnik, classificado como 'invencível' por Putin em discurso em 2018; empresa afirmou que continuará testando as armas

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2019 | 21h59

MOSCOU - Quatro dias depois da explosão  que provocou a morte de pelo menos cinco pessoas em uma remota base da Marinha da Rússia perto da cidade portuária de Severodvinsk, no norte do país, Moscou reconheceu, nesta segunda-feira, 12, que o acidente está ligado a testes de "novas armas".

Embora os detalhes do acidente e o tipo da arma sejam mantidos em sigilo, especialistas americanos e alguns jornais locais consideraram que este acidente poderia estar relacionado com os testes do míssil de cruzeiro Burevestnik, uma das novas armas "invencíveis" alardeadas pelo presidente Vladimir Putin em discurso feito em março de 2018.

Uma fonte da indústria militar negou neste domingo que o acidente tenha ocorrido com um Burevestnik e afirmou, em declarações ao jornal Nezavisimaya Gazeta, que os testes dessa arma foram concluídos com sucesso há meio ano.

Ao mesmo tempo em que homenageou os cinco membros de seu pessoal mortos no incidente, a agência nuclear russa garantiu, nesta segunda, sem dar muitos detalhes, que "continuará o trabalho deste novo tipo de arma que, sob qualquer circunstância, será feito até o fim".

"Cumpriremos os deveres que nossa Pátria nos confiou. Sua segurança estará garantida por completo", garantiu o chefe da empresa de energia nuclear Rosatom, Alexei Lijachev, citado pelas agências de notícias russas.

Antes, o Exército havia anunciado a morte de dois "especialistas", sem que ficasse claro se estão incluídos entre os cinco falecidos mencionados pela agência russa. Outras três pessoas foram vítimas de queimaduras neste acidente ocorrido na quinta-feira, acrescentou a Rosatom.

Segundo o órgão, seus especialistas dão assistência em Engenharia e suporte técnico, no que se refere à "fonte de energia" do motor do míssil que explodiu. A deflagração aconteceu em uma "plataforma marítima" e provocou a queda de vários trabalhadores ao mar.

Logo após o acidente, o Ministério da Defesa se limitou a informar que os fatos ocorreram durante o teste de um "motor-foguete de propulsão" a combustível líquido, mas sem descrever o acidente como estando vinculado com energia nuclear.

Depois, afirmou que "não houve contaminação radioativa", mas a prefeitura de uma cidade próxima à base anunciou que "registrou uma leve alta da radioatividade", levando a população a comprar iodo para evitar contaminações. O anúncio foi revisto posteriormente.

'Testes únicos'

Putin gerou alarde no ano passado e no início deste, ao apresentar uma nova geração de mísseis desenvolvidos por seu país, "invencíveis", "indetectáveis" e "hiperssônicos". Ameaçou mobilizar estas novas armas para atacar "centros de decisão" nos países ocidentais.

No domingo, a cidade de Sarov, onde fica o principal centro de pesquisa nuclear russo, decretou um dia de luto e informou que os cinco especialistas mortos seriam condecorados de maneira póstuma, nesta segunda, após o funeral.

"Tiveram uma dupla responsabilidade: no desenvolvimento de tecnologias e de equipamentos únicos e ao assumirem o risco físico de realizar testes únicos", disse Serguei Kirienko, membro do gabinete presidencial e ex-chefe da Rosatom, homenageando "verdadeiros heróis".

Conhecido como "Arzamas-16" durante a Guerra Fria, no centro de Sarov se desenvolveram as primeiras armas nucleares da União Soviética.

Um outro incidente no início de julho também chamou a atenção, quando 14 oficiais do Exército russo morreram no incêndio de um submarino nuclear no mar de Barents, em circunstâncias sobre as quais as autoridades russas não se pronunciaram, alegando "segredo de Estado". O fogo pôde ser controlado, mas alcançou o reator nuclear do submergível, de acordo com o Ministério russo da Defesa. / AFP e EFE

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