Rússia adverte contra críticas a decisões de Putin

A Rússia mandou um recado claro aos EUA e à União Européia (UE): não se metam nos nossos assuntos porque nós também não nos envolvemos nos seus. A advertência foi feita pelo chanceler Serguei Lavrov em resposta a um comentário, no dia anterior, do secretário americano de Estado, Colin Powell, que se mostrou "preocupado" - com o futuro da democracia russa - e a críticas semelhantes emitidas pela União Européia. Powell considerou perigosos os planos do presidente da Rússia, Vladimir Putin, de reformar a lei eleitoral para concentrar mais poderes em suas mãos, a pretexto de reforçar ao combate ao terrorismo. Um assessor de Powell indicou ainda que os EUA poderiam "retirar certa assistência" dada à Rússia.A estocada de Lavrov não parece ter incomodado o governo americano. Horas depois, o presidente George W. Bush repetiu em discurso que os EUA estão "preocupados" com as reformas de Putin, pois temem que ela possa minar a democracia. "Quando o governo combate o inimigo da democracia, tem de seguir os princípios da democracia", disse.As reformas anunciadas por Putin são uma questão interna da Rússia, ressaltou Lavrov durante uma visita a Astana, capital do Casaquistão. O chanceler lembrou que, depois do 11 de setembro de 2001, os EUA foram forçados a adotar medidas de segurança duras e controversas para combater o terrorismo. E acrescentou: "Nós, por exemplo, não fazemos comentários sobre o sistema eleitoral americano, no qual o presidente não é eleito diretamente, mas por delegados".

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