AP Photo/Evgeniy Maloletka
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Rússia afirma ter matado cinco 'sabotadores' ucranianos perto da fronteira

Relato das autoridades russas aponta que cinco ucranianos foram identificados em um povoado fronteiriço na região de Rostov, e que dois veículos militares foram destruídos; Kiev nega ter enviado 'sabotadores' ao país vizinho

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2022 | 11h09
Atualizado 21 de fevereiro de 2022 | 16h12

A Rússia alegou que destruiu dois veículos militares ucranianos que se desviaram para seu território, matando cinco pessoas, em um incidente não confirmado que seria o primeiro confronto direto com as forças ucranianas desde que Moscou mobilizou 190.000 soldados em sua fronteira.

De acordo com o relato de autoridades russas citado pelo Financial Times, as cinco pessoas teriam sido identificadas no povoado fronteiriço de Mityakinskaya, na região de Rostov. A Ucrânia teria enviado dois veículos de combate de infantaria para "removê-los do campo de batalha", mas forças russas "destruíram os dois veículos de combate ucranianos com armas antitanque". 

"No combate, cinco pessoas que pertenciam a um grupo de sabotadores que violaram a fronteira russa foram mortas", disseram os militares em comunicado reproduzido pela France-Presse. Kiev nega ter enviado sabotadores ao território russo.

No início do dia, Moscou já havia acusado as forças ucranianas de bombardear um posto de fronteira russo também na região de Rostov, uma acusação negada por Kiev.

O confronto entree tropas russas e ucranianas ocorre no mesmo dia em que Vladimir Putin terá uma reunião com o Conselho de Segurança da Rússia, em meio a escalada do confronto no Leste Europeu.

Desde a semana passada, autoridades ocidentais - incluindo o presidente dos EUA, Joe Biden - afirmam que Putin já tomou a decisão de invadir a Ucrânia, e que os russos devem usar operações de sabotagem para ter uma falsa justificativa para a invasão. 

Seria uma operação clássica de “bandeira falsa”, em que o autor de uma agressão se disfarça como seu inimigo para criar a impressão de que ele cometeu o ato, e assim justificar o revide.

Para o Ocidente, a escalada militar no Donbass não passa de uma farsa mal elaborada a fim de arrumar um pretexto para a Rússia agir —dos quase 4 milhões de habitantes da região, a maioria de russos étnicos, cerca de 700 mil têm passaporte dado ao longo dos anos por Moscou. 

Nas TVs russas, as chamadas falam que “o Kremlin nega invasão, mas vai proteger cidadãos”. Dominadas pelo Kremlin, as emissoras russas também afirmam que o governo de Kiev é quem começou as agrassões, e planeja um ataque em massa para retomar as regiões separatistas de Donetsk e Luhansk. Segundo os EUA e a Otan, os russos começaram a troca de fogo na linha de contato de 430 km entre separatistas e ucranianos. 

Segundo Kiev, foram mais de cem violações de cessar-fogo no domingo. Além disso, o exame de metadados de vídeos gravados pela liderança separatista em Donetsk e Lugansk mostra que eles foram feitos antes de sua divulgação, inclusive uma suposta ação contra "sabotadores poloneses" num gasoduto./ COM AFP

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