Mikhail Klimentyev, Sputnik, Kremlin Pool Photo via AP
Mikhail Klimentyev, Sputnik, Kremlin Pool Photo via AP

Rússia ameaça reduzir ainda mais o número de funcionários diplomáticos dos EUA

Em pronunciamento na China, onde participa de cúpula dos Brics, Vladimir Putin qualificou como 'grosseiro' o tratamento de Washington à missão russa nos EUA e disse que decidirá sobre a remoção de mais 155 diplomatas americanos no país

O Estado de S.Paulo

05 Setembro 2017 | 09h54

XIAMEN, CHINA - A Rússia se reserva o direito de reduzir ainda mais o número de funcionários diplomáticos dos Estados Unidos em Moscou, disse o presidente russo, Vladimir Putin, nesta terça-feira, 5, em resposta ao que classificou como tratamento “grosseiro” de Washington à missão diplomática russa em solo americano.

Pronunciando-se depois de as autoridades dos EUA terem ordenado que a Rússia desocupasse instalações diplomáticas em cidades americanas, Putin disse que ordenará ao Ministério das Relações Exteriores russo que leve autoridades dos EUA aos tribunais por conta de supostas violações de direitos de propriedade da Rússia.

“Que os americanos reduzam o número de nossas instalações diplomáticas é um direito deles”, disse Putin na cidade litorânea chinesa de Xiamen, onde compareceu à cúpula dos países do Brics. 

“A única coisa é que isso tenha sido feito de uma maneira tão grosseira. Isso não reflete bem em nossos parceiros americanos. Mas é difícil conduzir um diálogo com pessoas que confundem Áustria com Austrália. Nada pode ser feito a esse respeito. Provavelmente esse é o nível da cultura política de uma certa parte do establishment dos EUA”, afirmou o líder russo.

“Quanto a nossos edifícios e instalações, isso é algo inédito”, afirmou Putin. "Esta é uma violação clara dos direitos de propriedade da Rússia. Portanto, para começar, ordenarei que o Ministério das Relações Exteriores vá aos tribunais - e vamos ver o quão eficiente é o tão louvado judiciário dos EUA”.

A ordem dos EUA para a Rússia liberar algumas de suas propriedades diplomáticas foi a mais recente de uma série de ações recíprocas que começaram quando o ex-presidente americano Barack Obama expulsou 35 diplomatas russos no final do ano passado. O governo Obama disse à época estar retaliando a interferência russa na eleição presidencial, uma alegação negada por Moscou.

Em julho, Moscou reagiu ordenando que Washington reduzisse o número de funcionários diplomáticos e técnicos na Rússia de 755 a 455, mesmo número de funcionários russos nos EUA.

A Rússia disse que a medida procurou criar uma paridade entre a quantidade de diplomatas americanos e russos trabalhando nos respectivos países, mas Putin afirmou que as expulsões mais recentes ordenadas pelos EUA deixaram o número de diplomatas russos em solo americano abaixo dessa paridade.

"Se falamos de paridade absoluta (...) são 455 menos 155", afirmou Vladimir Putin, ao se referir a funcionários do governo russo que trabalham para a missão diplomática russa na ONU. "Por isto, nos reservamos o direito de tomar uma decisão sobre o número de diplomatas americanos", disse o presidente russo. / REUTERS e AFP

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