REUTERS/Abdalrhman Ismail
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Rússia anuncia cessar-fogo de 48 horas na cidade síria de Alepo

Vice-presidente da Comissão de Defesa da Câmara dos Deputados da Rússia afirmou que trégua é uma oportunidade para que os destacamentos armados da oposição a Assad se desvinculem dos jihadistas

O Estado de S. Paulo

16 Junho 2016 | 11h20

MOSCOU - O Ministério da Defesa da Rússia anunciou a entrada em vigor nesta quinta-feira, 16, de uma trégua de 48 horas na cidade síria de Alepo. "Por iniciativa da parte russa e a fim de reduzir o nível de violência armada e estabilizar a situação, a partir de 0h01 do dia 16 de junho, será implantada na cidade de Alepo uma trégua de 48 horas", afirmou um comunicado do Ministério.

O vice-ministro das Relações Exteriores e representante do presidente Vladimir Putin para assuntos do Oriente Médio, Mikhail Bogdanov, disse que a Rússia espera que a trégua na maior cidade da Síria leve ao fim das hostilidades.

Por sua vez, o vice-presidente da Comissão de Defesa da Duma, a Câmara dos Deputados da Rússia, Andrei Krasov, declarou que a trégua é uma oportunidade para que os destacamentos armados da oposição ao presidente sírio, Bashar Assad, se desvinculem dos jihadistas.

"É uma oportunidade para que (os opositores) se distanciem dos terroristas. Eles devem decidir se vão cumprir ou não com a trégua", disse Bogdanov à agência de notícias Interfax.

Segundo o Ministério da Defesa russo, grupos da organização terrorista Frente Al-Nusra, braço sírio da Al-Qaeda, realizaram na quarta-feira vários ataques nas províncias de Alepo, Damasco e Latakia.

Paz. Horas antes do anúncio, o chefe da diplomacia americana, John Kerry, havia advertido Assad e a Rússia sobre a necessidade de se respeitar o fim das hostilidades. "É evidente que o cessar das hostilidades é frágil e está ameaçado, e que é crucial instaurar uma verdadeira trégua. Somos conscientes, não temos ilusões", disse o secretário de Estado americano em Oslo, em referência ao cessar-fogo instaurado em fevereiro, com mediação de Moscou e Washington, mas que é desrespeitado desde abril.

"A Rússia tem que entender que nossa paciência não é infinita. De fato, (nossa paciência) é muito limitada a respeito de saber se Assad prestará ou não contas", destacou Kerry. Washington "também está disposto a pedir contas aos (grupos armados) membros da oposição (...) que continuam os combates violando o cessar-fogo", disse.

Além da trégua, Rússia e Estados Unidos respaldam um processo de paz, atualmente paralisado, para acabar com um conflito que provocou mais de 280 mil mortes e deixou milhões de deslocados em cinco anos.

A cidade de Alepo está dividida em duas: a zona oeste, sob poder do regime, e a zona leste, controlada pelos rebeldes.

Para os analistas, esta trégua aguentará tanto como as anteriores e os ataques continuarão enquanto não houver um verdadeiro esforço para relançar os processos de paz. "Os sírios estão cada vez mais céticos frente a estas efêmeras tréguas, que parecem tão artificiais e infrutíferas quanto as negociações de paz, causando esperanças e decepções amargas", afirmou Karim Bitar, diretor de pesquisas do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas (IRIS).

No plano humanitário, 55 organizações sírias da oposição afirmaram em um documento que a ação da ONU na Síria "viola os princípios humanitários e pode avivar o conflito".

Em um relatório muito crítico, acusaram a ONU de "perder de vista os valores humanitários vitais da imparcialidade, independência e neutralidade".

Segundo o relatório, em abril de 2016, 88% das entregas de alimentos ocorreram em regiões controladas pelo regime e 12% em setores fora de seu controle. /AFP e EFE

Veja abaixo: Vídeos mostram que tragédia humanitária segue na Síria

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