Anatoly Maltsev/Reuters
Anatoly Maltsev/Reuters

Rússia anuncia envio de R$ 160 milhões a Cuba e reafirma apoio a Maduro

Moscou reforçou parceria com Venezuela, país com quem mantém cooperação militar desde 2005 e é o maior importador de armas russas na América Latina

Redação, O Estado de S.Paulo

06 Fevereiro 2019 | 19h11

MOSCOU - A Rússia aprovou e assinou um crédito de R$ 160 milhões que concederá a Cuba para o "desenvolvimento sustentado" de seu setor de Defesa, informou nesta quarta-feira, 6, o vice-primeiro-ministro russo, Yuri Borisov.

"O acordo foi finalizado e os documentos assinados. Todos os parâmetros, como os juros, o calendário de pagamentos e a moeda na qual serão feitas as devoluções, foram adotados em coordenação com Cuba", indicou o alto funcionário russo à agência Interfax.

Borisov, que copreside a comissão intergovernamental entre a Rússia e Cuba e visitou a ilha caribenha no ano passado, disse que ambos países se beneficiarão do acordo, que pretende "assegurar o desenvolvimento sustentado do setor de Defesa de Cuba nos próximos anos".

O diretor do Serviço Federal de Cooperação Técnico-Militar, Dmitri Shugaev, explicou em entrevista ao jornal Kommersant que o crédito será destinado "ao desenvolvimento da cooperação tecnológica e da prestação de assistência técnica à parte cubana".

Essa cooperação dará a Cuba "a oportunidade de desenvolver seu complexo militar-industrial a longo prazo", afirmou. Shugaev lembrou que o acordo intergovernamental sobre cooperação técnico-militar com Cuba é de 2006. 

A Rússia forneceu no passado a Cuba "uma quantidade considerável" de armas e equipamento militar e proporcionou à ilha assistência técnico-militar, segundo funcionários. "Há aviões, veículos blindados, sistemas de artilharia, sistemas de defesa aérea e equipamentos para o mar de nossa produção", disse Shugaev. 

Venezuela

Na mesma entrevista, Shugaev reforçou o apoio russo à Venezuela, país com quem mantém cooperação militar desde 2005 e é o maior importador de armas russas na América Latina

"Nosso armamento tem mostrado seu valor, tanto na Venezuela como em países da região como Peru e Brasil. Faremos todo o possível para manter sua (Venezuela) por sua capacidade combativa. Esse é nosso objetivo principal", afirmou. 

Shugaev comentava a possibilidade de o presidente da Assembleia Nacional e autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, querer revisar a cooperação técnico-militar com a Rússia, numa eventual queda do presidente Nicolás Maduro.  

O funcionário russo disse que Moscou segue com atenção a situação na Venezuela, que a "preocupa muito". No entanto, ressaltou que não há nenhuma intensão de se encerrar a cooperação com o país andino. 

Desde 2005, o governo russo já entregou a Venezuela helicópteros, aviões MI-35 e MI-17, além de SU-30MK2, armas pequenas, veículos blindados e armas de defesa aérea, como o Antey-2500, Buk-M2E e Igla MANPADS. Shugaev explicou que esses são equipamentos entregues há muito tempo e hoje a cooperação se concentra fundamentalmente em reparar e manter essas armas, além da criação de instalações militares, centros de manutenção e revisão dos helicópteros do tipo MI. / EFE  

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.