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Rússia apoia reação da Coreia do Norte a comédia da Sony

EUA precisam provar que regime ordenou ciberataque, diz Kremlin; parte das 331 salas em que 'A Entrevista' estreou teve sessões lotadas

O Estado de S.Paulo

26 de dezembro de 2014 | 03h40

MOSCOU - A Rússia apoiou ontem a Coreia do Norte em sua reação às acusações de que estaria por trás de um ataque cibernético à Sony Entertainment na semana passada. A comédia A Entrevista, produzida por esse estúdio, conta a história de um complô para matar o ditador norte-coreano Kim Jong-un. Para Moscou, o filme é "tão escandaloso" que a revolta de Pyongyang é "compreensível".

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Alexander Lukashevich, disse que Washington não apresentou provas para as acusações de que Pyongyang patrocinou o ataque. O regime norte-coreano se ofereceu para participar de uma investigação conjunta com os EUA sobre o caso, o que não foi aceito pelas autoridades americanas.

Segundo Lukashevich, as ameaças de Washington de retaliação contra Pyongyang são "contraproducentes" e "perigosas". "Elas poderiam adicionar mais tensão a uma situação difícil na Península Coreana e levar a uma escalada do conflito", disse. Na segunda-feira, a internet norte-coreana deixou de funcionar por nove horas, no que foi considerado uma resposta dos EUA.

Os laços entre a Rússia e o regime comunista norte-coreano azedaram após o colapso soviético em 1991. Mas eles têm melhorado sob a presidência de Vladimir Putin. Moscou tem tomado parte nos esforços internacionais para mediar o impasse sobre o programa nuclear e de mísseis de Pyongyang.

Ingressos esgotados. A Sony decidiu inicialmente não lançar o filme em razão das ameaças contra os cinemas dos EUA. Mensagens anônimas deixadas por hackers diziam que as salas que o exibissem seriam alvo de violência. No entanto, na terça-feira, a Sony anunciou sua decisão de colocar o filme em cartaz e, na quarta-feira, de transmiti-lo via internet.

A estreia, em sessões da meia-noite de quarta-feira, teve ingressos esgotados em boa parte das 331 salas em que entrou em cartaz. Seth Rogen, que estrela o filme com James Franco, e o co-diretor Evan Goldberg, surpreenderam o público ao comparecer à sessão lotada das 0h30 de um cinema de Los Angeles.

Do lado de fora do cinema, os espectadores, que bebiam cidra quente enquanto esperavam o início do filme, disseram ter ido à sessão da comédia de baixo orçamento para apoiar a liberdade de expressão. As sessões marcadas para os cinemas americanos não incluíram as grandes redes.

O filme, em cartaz majoritariamente em cinemas de grandes áreas metropolitanas, traz Rogen e Franco como jornalistas recrutados pela CIA para matar o líder norte-coreano. Importantes redes de cinemas haviam se recusado a lançar a comédia depois das ameaças de hackers.

A gigante do entretenimento recuou depois que o presidente dos EUA, Barack Obama, políticos democratas e republicanos e figuras de Hollywood, como o ator George Clooney, mostraram preocupação, afirmando que Hollywood estava abrindo um precedente para a autocensura. / REUTERS e AP

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