Mikhail Klimentyev /AP
Mikhail Klimentyev /AP

Rússia aprova lei para suspender tratado sobre armas nucleares

O parlamento da Rússia aprovou suspensão do acordo, assinado com os Estados Unidos em 1987, durante a Guerra Fria; americanos e russos trocaram acusações sobre descumprimento do tratado

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2019 | 10h27

MOSCOU - O parlamento da Rússia aprovou nesta terça-feira, 18, a lei para suspender Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF)assinado com os Estados Unidos em 1987, durante a Guerra Fria. No último dia 2 de fevereiro, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou que o país abandonaria o tratado de controle de armas nucleares em resposta a decisão do presidente americano, Donald Trump, de deixar o acordo. O Departamento de Estado americano alega que as negociações para obrigar Moscou a abandonar mísseis e lançadores falharam.

Os dois países trocaram acusações de descumprimento do INF e, após contatos infrutíferos entre representantes dos EUA e da Rússia em Genebra e em Pequim, Washington anunciou finalmente em 1º de fevereiro que deixará o tratado em um prazo de seis meses.

Previamente, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, tinha dado em dezembro um prazo de 60 dias à Rússia para que voltasse a cumprir o tratado. EUA e OTAN exigiram à Rússia que destrua o míssil de cruzeiro Novator 9M729 (SSC-8, segundo a classificação da OTAN), por considerar que supera os 500 quilômetros de alcance.

Por sua parte, a Rússia considerou "inadmissível" o pedido e argumentou que o Novator tem um alcance de 480 quilômetros, o que inscreve-se dentro do tratado. Além disso, a Rússia acusou os EUA de ter começado a preparar o terreno para deixar o INF há quase dois anos, quando começaram os trabalhos para a fabricação de mísseis de curto e médio alcance em uma das suas plantas militares do estado do Arizona. 

Após a aprovação da lei pelo parlamento russo, a expectativa é que o Conselho da Federação a adote no próximo dia 26. A lei outorga a Putin o direito a restabelecer a vigência do tratado se os EUA retificarem sua postura. O Tratado INF, assinado em 8 de dezembro do 1987 e que entrou em vigor em 1º de junho de 1988, pôs fim às tensões existentes pela presença de mísseis soviéticos e americanos na Europa

O documento estabeleceu a destruição de toda uma classe de mísseis, ao proibir as de partes criar, testar e instalar mísseis balísticos e de cruzeiro terrestres de alcance médio (de 1.000 a 5.500 quilômetros) e alcance curto (de 500 a 1.000 quilômetros), assim como suas plataformas de lançamento

O que é o tratado nuclear entre EUA e Rússia?

O pacto foi assinado em dezembro de 1987 pelo presidente Ronald Reagan e o líder soviético Mikhail Gorbachev. Proibiu os Estados Unidos e a União Soviética de possuir e testar mísseis balítiscos de médio alcance (de 500 km a 5,5 mil km). O acordo é apenas um entre vários outros tratados sobre armas assinados entre EUA, a antiga União Soviética e a Rússia.

Pelo tratado, Washington e Moscou destruíram 846 e 1846 mísseis respectivamente. Dado seu alcance limitado, eles eram tratados como uma ameaça de guerra nuclear na Euripa. Além disso, pelo tempo curto de voo e padrão difícil de detectar, eram mais sucetíveis a acidentes.

Uma nova Guerra Fria?

O Departamento de Estado acusou a Rússia de violar o tratado pela primeira vez em 2014. Desde então, autoridades americanas identificaram o míssil 9m729 como potencialmente problemático. Em 2017, ainda segundo os americanos, o míssil se tornou operacional. A Rússia nega ter violado o tratado e diz ter uma lista das violações cometidas pelos americanos.

Em fevereiro, 18 dias após a ameaça de rompimento do pacto, o presidente da RússiaVladimir Putin, afirmou que Moscou responderá a qualquer instalação de armas nucleares americanas de alcance intermediário na Europa mirando seus "novos mísseis" não só contra os países que receberem esse armamento, mas os próprios Estados Unidos. Ele também apresentou uma série de novos mísseis russos./ EFE, AFP e AP

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