Rússia assina Tratado para anexar Crimeia

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o Parlamento do país assinaram nesta manhã o documento que reconhece oficialmente a independência da Crimeia. Durante discurso, Putin afirmou que a Crimeia sempre fez parte do país e defendeu o referendo de reintegração realizado no último domingo. De forma conciliadora, o presidente descartou qualquer possibilidade de invadir o território ucraniano e ressaltou que respeita a soberania do país vizinho.

EDGAR MACIEL, COM INFORMAÇÕES DA ASSOCIATED PRESS, Agência Estado

18 de março de 2014 | 09h41

"Nos corações e nas mentes das pessoas, a Crimeia sempre foi e continua sendo uma parte inseparável da Rússia. Este compromisso, baseado na verdade e na justiça, foi passado de geração para geração", argumentou.

O discurso de Putin aos deputados russos ocorreu horas depois de ele ter aprovado e reconhecido o projeto de lei para a anexação da Crimeia. Para justificar sua decisão, o presidente citou como exemplo o processo de independência de Kosovo da Sérvia em 1991 - que recebeu apoio do Ocidente e oposição da Rússia - e disse que a secessão da Crimeia ao território ucraniano repete o mesmo processo da saída da Ucrânia da União Soviética há mais de 20 anos.

De forma incisiva, o líder russo descartou qualquer possibilidade de as tropas invadirem outras regiões da Ucrânia. "Respeitamos a soberania da Ucrânia. Nós não queremos dividir o país, mas a Crimeia pertence à Rússia", afirmou. "A partir de agora, nós estamos propondo a cooperação com o governo ucraniano", complementou.

Ele negou as acusações dos países ocidentais de que a Rússia teria invadido a Crimeia antes do referendo e disse que as tropas russas foram enviadas para a região respeitando um tratado assinado com a Ucrânia, que permite à Rússia ter até 25 mil soldados na região do Mar Negro.

Sobre o governo da Ucrânia, Putin disse que o governo legítimo de Viktor Yanukovich sofreu um golpe de estado por um grupo de manifestantes encorajado pelo Ocidente - principalmente pelos Estados Unidos. "Os EUA não são guiados pelas leis internacionais, mas sim pela força", disse.

Com a assinatura do documento, Moscou desafia as sanções dos EUA e da União Europeia, que decidiram nesta semana congelar bens e negar vistos a 21 autoridades russas e crimenianas. A partir de agora, o governo de Putin deve trabalhar na integração de leis e também no orçamento que será destinado à Crimeia. A estimativa do governo é que a península receba cerca de US$ 4 bilhões no primeiro ano de integração.

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