Alexei Nikolsky, Sputnik, Kremlin Pool Photo via AP
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Rússia aumenta pressão sobre a Europa e diz que não há motivos para mais negociações

O comentário foi feito em meio às reuniões diplomáticas que tentam evitar uma guerra na fronteira da Ucrânia, onde a Rússia já concentra tropas

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de janeiro de 2022 | 13h23

A Rússia aumentou sua pressão nesta quinta-feira, 13, sobre a Otan e a Europa, frustrando as esperanças de novas negociações para acalmar a crise na fronteira da Ucrânia.

O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, disse não ver “nenhuma base” para continuar as negociações, em um golpe para os esforços de aliviar as tensões. Seus comentários foram feitos quando a Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) se reune em Viena, na mais recente tentativa de evitar uma grande crise europeia, enquanto a Rússia reúne tropas na fronteira com a Ucrânia.

Falando na televisão russa, Ryabkov disse que os Estados Unidos e seus aliados rejeitaram as principais demandas da Rússia - incluindo seu pedido pelo fim da política de portas abertas da Otan para novos membros - oferecendo negociar apenas tópicos de interesse secundário para Moscou.

“Há, até certo ponto, um beco sem saída ou uma diferença de abordagens”, disse ele. Sem algum sinal de flexibilidade dos Estados Unidos, “não vejo motivos para me sentar nos próximos dias, para nos reunirmos novamente e iniciarmos essas mesmas discussões”.

Esses são os comentários mais recentes de uma campanha de pressão constante da Rússia sobre os Estados Unidos e a Otan nos últimos meses, que incluiu a escalada de operações militares nas fronteiras da Ucrânia, intensificando a retórica e exigindo mudanças radicais na arquitetura de segurança da Europa.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, que descreveu a posição ocidental como "arrogante, inflexível e intransigente", disse que o presidente Vladimir Putin decidirá sobre novas ações depois de receber respostas por escrito às demandas de Moscou na próxima semana.

Ameaça grave à paz

A reunião da OSCE terminou em Viena sem qualquer sinal de avanço. A secretária-geral Helga Schmid disse que a situação na região continua “muito perigosa”, ecoando os discursos de abertura da reunião.

“Parece que o risco de guerra na área da OSCE é agora maior do que nunca nos últimos 30 anos”, disse no início o presidente do Conselho Permanente do grupo, Zbigniew Rau, da Polônia. A Europa enfrenta “uma ameaça particularmente grave à paz”, acrescentou, e deve se apegar aos seus princípios fundadores de que os Estados são iguais e não devem usar força militar ou ameaças.

Além de considerar as negociações malsucedidas, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, destacou um projeto de lei anunciado na quarta-feira, 12, pelos senadores democratas dos EUA para novas sanções contra russos, incluindo Putin, se houver ação militar contra a Ucrânia.

Peskov o chamou de “extremamente negativo, especialmente no contexto da série de negociações em andamento, embora malsucedidas, mas negociações”.

Sancionar um chefe de Estado “é uma medida ultrajante que é comparável a romper relações”, disse ele. Peskov também acusou os Estados Unidos e a Otan de escalar o conflito com esforços para “atrair” novos países para se juntarem à à aliança.

A reunião do Conselho Permanente da OSCE, que inclui Rússia e Ucrânia, foi um dos passos diplomáticos desta semana para aliviar as tensões sobre a concentração de tropas russas perto da fronteira ucraniana, o que levantou temores de que Putin possa estar planejando um novo ataque.

Autoridades russas negaram tais planos e rejeitaram os pedidos da Otan para diminuir a escalada, dizendo que a Rússia tem o direito de mover tropas e forças em seu próprio território. A Rússia também exigiu amplas garantias de segurança dos Estados Unidos e da Otan, incluindo a suspensão de qualquer nova expansão da aliança para o leste.

O impasse também marca um desafio crucial para o esforço do governo Biden em mostrar que as democracias podem prevalecer sobre o autoritarismo e o desafio às normas internacionais.

As negociações de quinta-feira seguem uma reunião entre autoridades americanas e russas em Genebra na segunda-feira e uma reunião do Conselho Otan-Rússia na quarta-feira, a primeira do tipo em dois anos.

A OSCE desempenha um papel fundamental na Ucrânia, monitorando um cessar-fogo sob o acordo de paz de Minsk que foi projetado para encerrar a guerra no leste da Ucrânia entre Kiev e separatistas apoiados pela Rússia. A guerra já matou mais de 13.000 pessoas desde que começou em 2014, após a anexação da Crimeia pela Rússia.

A Rússia nega qualquer participação na guerra, chamando-a de conflito ucraniano “interno”. O acordo de Minsk não fez nenhum progresso para acabar com a crise e devolver o leste da Ucrânia ao controle de Kiev. Nos últimos anos, o Kremlin interveio emitindo passaportes para residentes do leste da Ucrânia, permitindo-lhes votar nas eleições russas./The Washington Post

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