Maxim Shemetov/Reuters
Maxim Shemetov/Reuters

Rússia chama de 'inaceitáveis' sanções por caso Navalni e adverte EUA a 'não brincar com fogo'

Kremlin e Ministério das Relações Exteriores russo se posicionaram publicamente após as sanções aplicadas por EUA e União Europeia

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de março de 2021 | 07h40

MOSCOU - O Kremlin classificou como "totalmente inaceitáveis" as novas sanções adotadas pela União Europeia e pelos Estados Unidos contra autoridades da cúpula do governo russo pelo envenenamento prisão do líder da oposição Alexei Navalni. O governo russo ainda fez uma advertência aos americanos pelas sanções, alertando que não devem "brincar com fogo". 

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, considerou que estas sanções "prejudicam de maneira considerável relações já lamentáveis" entre a Rússia e os países ocidentais. Além disso, considerou "escandalosas" as acusações contra os serviços de segurança russos (FSB) que, segundo os Estados Unidos, seriam responsáveis pelo envenenamento de Navalni.

A reação também partiu do Ministério das Relações Exteriores russo, que denunciou a aplicação de sanções como um "ataque hostil contra". Em comunicado divulgado na quarta, a diplomacia russa afirma que a represália dos EUA é parte de uma "política americana insensata e ilógica que prejudica ainda mais as relações bilaterais com Moscou".

"Triunfa o absurdo", afirmou a diplomacia russa, ao acusar Washington de utilizar Navalni como "pretexto para interferir abertamente nos assuntos internos" da Rússia. 

"Vamos reagir com base no princípio da reciprocidade", completou o ministério. A nota oficial afirma ainda que "os cálculos para impor algo à Rússia por meio de sanções ou outras pressões fracassaram no passado e fracassarão hoje".

"Seguiremos defendendo nossos interesses nacionais de forma sistemática e decidida, rejeitando qualquer agressão. Pedimos a nossos colegas que para não brincar com com fogo", destacou o ministério, antes de acrescentar que o governo dos Estados Unidos "perdeu o direito moral de dar lições nos demais".

Washington anunciou na terça-feira sanções contra altos funcionários de Moscou. Estas foram as primeiras sanções contra a Rússia anunciadas por Joe Biden que, desde que assumiu a presidência em 20 de janeiro, adotou um tom mais duro do que o de seu antecessor Donald Trump

As sanções afetam Alexánder Bortnikov, diretor do Serviço Federal de Segurança (FSB), o diretor do serviço penitenciário Alexander Kalashnikov, o procurador-geral Igor Krasnov e um grande colaborador do presidente Vladimir Putin, Serguei Kiriyenko, e outros membros da cúpula do governo.

Na segunda-feira, a União Europeia formalizou sanções contra quatro altos funcionários russos envolvidos no processo judicial contra Navalny e a repressão de seus partidários./ AFP

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