Rússia, China e Irã querem EUA fora da Ásia Central

Mensagem é divulgadas na véspera de grandes manobras militares conjuntas da Rússia e China

Associated Press e Agência Estado,

16 de agosto de 2007 | 15h28

Os líderes da Rússia, China e Irã advertiram nesta quinta-feira, 15, ao resto do mundo para deixar a Ásia Central tratar sozinha de sua estabilidade e segurança, uma mensagem velada aos Estados Unidos divulgada na véspera de grandes manobras militares conjuntas da Rússia e China. Na reunião da Organização de Cooperação de Xangai, os líderes emitiram um comunicado que tem uma aparente advertência aos EUA para ficarem fora da região estratégia e rica em recursos naturais. "Estabilidade e segurança na Ásia Central são mais bem garantidas primariamente através de esforços despendidos pelas nações da região com base nas associações regionais existentes", diz o comunicado dos líderes emitido após o fim da cúpula da organização na capital do Quirguistão, Bishkek. Os presidentes Vladimir Putin, da Rússia, Hu Jintao, da China, e líderes de quatro ex-repúblicas soviéticas da Ásia Central que fazem parte da organização também presenciarão na sexta-feira exercícios militares na região de Chelyabinsk, nos Urais russos. Cerca de 6.000 soldados russos e chineses, dezenas de aviões de combate e centenas de veículos blindados e outros armamentos pesados estarão envolvidos nos jogos de guerra - os primeiros do tipo em território russo. O presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, um observador na cúpula, criticou os planos dos EUA de desenvolverem um escudo antimísseis, o que para ele é uma ameaça para toda a região. "Essas intenções são uma preocupação não apenas para um país em si, mas para grande parte do continente", disse. A Organização de Cooperação de Xangai foi criada 11 anos atrás para tratar de extremismo religioso e questões de segurança nas fronteiras na Ásia Central. Nos últimos anos, com o Irã, Índia, Paquistão e Mongólia sendo incorporados como observadores, o grupo evoluiu para um bloco que tem desafiado os interesses dos EUA na região, que tem imensas reservas de hidrocarbonetos. É o segundo ano consecutivo que Ahmadinejad participa como observador na cúpula anual.

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