Rússia começa a perder as opções para ajudar ditador

Cenário: Fred Weir / CS Monitor

O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2012 | 03h04

O Ocidente tenta chantagear a Rússia para que o país concorde com uma resolução da ONU autorizando o uso da força para depor Bashar Assad, insiste o chanceler russo, Sergei Lavrov. Mas, embora a Rússia manifeste um sólido apoio ao plano de Kofi Annan para a Síria, nenhuma parte dele funcionou e o mandato da força observadora da ONU chega ao fim na sexta-feira.

"Dizem-nos que, se não concordamos com a aprovação de uma resolução sob o Capítulo 7 da Carta da ONU (que permite o uso da força), estaremos nos recusando a prorrogar o mandato da missão de observação. Consideramos essa abordagem perigosa e absolutamente contraproducente, já que é inaceitável usar os monitores como moeda de troca." Mas os russos parecem reconhecer que não têm ideia em relação ao que pode ser feito na Síria e Lavrov admite que, apesar dos meses de dura oposição às iniciativas contra Assad propostas pelo Ocidente, há pouco - ou nada - que Moscou possa fazer para deter a espiral de violência que conduz a Síria a uma guerra civil. "Todas as tentativas de mediar uma solução entre os próprios sírios parecem ter fracassado", diz Fyodor Lukyanov, editor da Russia in Global Affairs, revista moscovita voltada para a política externa. "A oposição não vai aceitar nenhuma fórmula que não envolva a imediata saída de Assad. Outro problema está no fato de a oposição não ter uma voz única. A melhor aposta da Rússia seria participar de negociações que levassem a algum tipo de transição suave, mas isso fracassou."

"Se Assad for derrubado pela força, a Rússia perderá todos os pontos eventualmente acumulados por participar do processo diplomático. Por outro lado, não pode se dar o luxo de simplesmente abandonar Assad, ao lado de todas as minorias sírias que dependem dele, pois isso levaria a um caos sangrento", diz Lukyanov. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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